Seja um apoiador do 22

Blog do Ombudsman

23/11/2007

Redesenho, ocupação e invasão um prato comido quente e regado com bastante idiotice.

Redesenho, ocupação e invasão um prato comido


quente e regado com bastante idiotice.


 


 


Inicialmente peço desculpas a todos por não ter publicado nada sobre o assunto antes. O silêncio deveu-se essencialmente a relevância e a delicadeza que o tema encerra sendo, portanto, carecedor de uma inevitável ponderação, haja vista estarem os ânimos exaltados.


Li com bastante atenção, e algum pesar o manifesto dos auto-intitulados “estudantes ocupados”. A priori algumas dúvidas me acometeram e a primeira delas era se o que eu havia lido era efetivamente um manifesto escrito por estudantes universitário. A vulgaridade do linguajar fez com certeza Camões se movimentar no túmulo. Bom, mas isso não vêm ao caso, afinal o assunto é mais sério, até porque escrever com correção não é essencial, pelo menos para um estudante de direito...


Da leitura do citado manifesto, reteve-me a atenção a frase final “ Não passarão”. Esta remeteu-me a obra de Pavel Budoyev “A revolução”, um verdadeiro manual do bom comunista, em que o autor ensina entre vários slogans “a reação não passará” que na visão deste deve ser pronunciado várias vezes ao dia como um verdadeiro ritual.


Desde a edição desta obra, aos nossos dias, passaram-se décadas, séculos, porém o discurso se atualiza sem se renovar. Espanta-me a nossa vontade em ficarmos presos num tempo em que não vivemos. Ser de esquerda como ensina Charles Taylor é exatamente não ser conservador, é atualizar-se e acompanhar as inovações dos tempos, ser moderno sem perder o que existe de essencial na esquerda. Mas isso também não vem ao caso.


O redesenho institucional, é uma medida de caráter urgente para a sobrevida da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, todavia, apesar de reconhecer esse fato, discordo não apenas do seu conteúdo, como também da forma como vem sendo discutido. Todavia, discordo também, e aqui em absoluto com a invasão da reitoria como medida viável e eficaz para a resolução do problema.


Atitudes musculadas, de caráter coletivo (como a ocupação) são legitimas apenas, na medida em que elas constituam atos de desobediência civil, contra a ordem instituída, e nunca como forma de instalação da desordem, e do caos social, bem como da depredação de patrimônio público ou privado, ou do cerceamento de direitos individuais alheios muito, menos para a satisfação de caprichos pessoais ou pequenos grupos que visão a auto promoção, ou a sua própria diversão, aproveitando-se da nossa ingenuidade.


No meu modesto entendimento, o redesenho nos moldes apresentado acarreta perdas a nossa tão propalada democracia, engessa o funcionamento da instituição, acarreta ainda relevantes perda na qualidade de ensino. Porém, devo reconhecer que nem tudo são espinhos, alguns avanços estão contidos neste documento.


A despeito do que acabei de considerar, entendo não assistir qualquer legitimidade a quem quer que seja, para fazer justiça manus militare. Não seria desproposital lembrar aos nossos colegas que estamos num Estado de direito.


A gestão do C.A ignorando em absoluto os estatutos da instituição, convocou “assembléias gerais” para solicitar o apoio dos estudantes da faculdade de direito a ocupação, mas, antes mesmo os nossos ilustres representes já haviam participado do ato de invasão, subscrevendo a posteriori  o manifesto numa atitude pouco digna de estudantes da faculdade paulista de direito.


Porém, patética mesmo foi à atitude dos nossos gestores festejando a reversão do placar da votação na “assembléia” noturna onde o quorum não conseguiu atingir cinqüenta alunos num universo de sensivelmente 2700 alunos matriculados.


Invadir a reitoria era a única medida a disposição dos estudantes para se fazerem ouvir? Seguramente não. Existem outras mais democráticas, legais e acima de tudo muito mais inteligentes. Mas num ano em que a pauta do 22 é guiada pela imbecilidade, não me espantou a opção pela via mais bruta, bussal, inadequada. Consola-me a esperança de que o ano que vem seja diferente, pois, fazendo jus as palavras de Baden Pawell “a idiotice não se transplanta”.


Ensina Jaime de Séguier que a política é a arte de negociar. Assim, inclusive as medidas mais musculadas devem sempre servir de caminho para a instauração de um processo negocial. É mister que qualquer negociação política tenha como ponto de partida uma plataforma razoável, inteligente, capaz de proporcionar ao interlocutor espaço suficientemente elegante para a sua manobra.


Os “ocupantes-invasores” apresentaram uma plataforma que mistura alhos com bugalhos, redesenho com bolsas, demissões de professores e funcionários com solidariedade aos invasores da linha férrea da Vale do rio doce, sob a alegação de que “a nossa luta é uma só!”. Digam-me os senhores se existe alguma similitude?


Infelizmente, por melhores que sejam as intenções dos interlocutores, torna-se inviável qualquer dialogo construtivo como uma plataforma recheada de ambigüidades.


Perdemos uma grande oportunidade de negociar uma reforma institucional que escrevesse a nossa geração nos anais da historia puquiana. Em contra partida presenciamos trinta anos depois o nefasto episodio da presença da polícia militar no campus, onde vaticinava a magnífica reitora Nadir Kfouri “só entrariam se passassem pelo vestibular”.


É importante agora que saibamos diferenciar a invasão policial de 1977, com a presença da polícia na PUC no dia 10 de novembro, ato que eu humildemente prefiro não chamar de invasão. Tratou-se do cumprimento de uma ordem judicial de reintegração de posse a quem a deveria deter legitimamente – a reitoria. Não me alongarei neste tópico, pois as aulas de direitos reais no 4º ano são bastante ilustradoras sobre o tema. Contenta-me, todavia, saber que não ouve violência física.


Num Estado democrático de direito, o que ocorreu no dia 10 de novembro é absolutamente normal. Estranhou-me o fato de estudantes de direito com quem conversei nestes dias, conservarem o mito de que a polícia não poderia entrar na PUC, e que tal ato constituía uma inconstitucionalidade... Por misericórdia. Ou somos hipócritas, ou não sabemos o que é efetivamente uma inconstitucionalidade, o que seria muito mais grave.


Se a invasão em 1977 foi um ato de força do poder público, ilegítimo e antidemocrático, que tinha o fito único de cercear liberdades políticas, o mesmo não se pode dizer deste, amparado pelo Estado de direito. Podemos questionar a democraticidade do Estado de acordo com as nossas convicções pessoais, mas jamais podemos negar a observância de postulados e primados do Estado de direito. Muitos me perguntarão, se é democrático a polícia entrar na PUC para expulsar alunos indefesos. A estes responderei perguntando, se é democrático esbulhar a propriedade alheia?


Devemos ser audazes, e assumir a nossa parcela de culpa na atual situação. O redesenho vem sendo discutido desde o final do ano 2006, os alunos e em particular a gestão do 22 de Agosto, abstiveram-se de apresentar um plano alternativo aquele apresentado pela reitoria. O C. A. sequer discutiu o assunto com as pessoas mais interessadas – nós os alunos. O pior é que a grande maioria das pessoas que compõem a atual gestão sequer sabe do que trata o redesenho institucional, sabe apenas a versão deturpada que passa de boca em boca, e que é gritada pelos ativistas de plantão.


Pergunto. O grupo de estudos sobre o redesenho institucional recentemente instituído pelo Centro Acadêmico, não poderia ser constituído antes, a tempo de formular propostas concisas?


Em outras ocasiões aqui mesmo, questionei a competência da atual gestão, mas depois destes fatos e de alguma ponderação, não tenho medo de errar ao dizer que os nossos ilustres gestores são absolutamente incompetentes.  Incapazes de nos representar com a dignidade que nos é devida. Pois vejamos:


O redesenho será votado no Conselho Universitário – CONSUN, órgão Máximo na hierarquia da PUC, onde os estudantes de Direito e da FEA, deveria ser representados por um aluno, a luz dos estatutos e do regimento interno da universidade. Deveríamos ser representados porque não seremos.


E não seremos porque a atual gestão fazendo jus a sua incompetência, não conseguiu eleger entre aproximadamente nove mil alunos que compõem as duas faculdades, um único aluno que nos representasse. Isso seria cômico não fosse trágico.


Não adianta tocar tambores pela universidade, meus senhores. Ocupem os espaços democraticamente constituídos dentro da instituição.


Como queremos mais espaços para os alunos no futuro desenho institucional da PUC se os que temos agora não são ocupados, porque quem devia ocupá-los está mais preocupado em invadir as reitorias das universidades públicas e privadas pelo Brasil a fora?


Como não adianta o choro pelo leite derramado, está na hora do 22 de Agosto tomar a sua tradicional postura de coerência pacífica, de mediador, de negociador por excelência, e apresentar a todos nós uma terceira via que reflita os anseios de seus representados, para a saída do impasse.


De contrário serão vencidos pelo cansaço e o que poderia ser uma oportunidade de mudarmos o curso da história, será só, e apenas só um ato dos filhos da nossa elite se divertindo, brincando de revolucionário.


Que estes episódios tenham para todos nós um efeito pedagógico.


 


Escrito por Esteves Hilário, em 23/11/2007, às 20:26

30/10/2007

Sobre a enquête: Quando o ridículo é o critério.

Sobre a enquête: Quando o ridículo é o critério.


 


“Deus dá limites à inteligência, mas não dá a imbecilidade...”.


 


Havia prometido a mim mesmo que não mais voltaria ao assunto do fumo de “maconha” no espaço do Centro Acadêmico, porque entendia ter alcançado em parte o meu objetivo que era ao menos estimular o debate sobre esse tema. Todavia fui surpreendido com a página principal do site do 22 de Agosto estampada no site “migalhas” expondo uma pesquisa feita pelo C. A sobre o consumo de drogas na Pontifícia.


Imediatamente ocorreu-me um misto de sentimentos: vergonha e pasmo. Não resisti e de pronto comecei a escrever este texto muito embora ainda movido pelo calor da miscelânea de sentimentos que se apossou de mim.  Uma coisa me pareceu clara. A pesquisa em questão era mais um capítulo da discussão motivada pelo texto anterior aqui publicado.


Ao ler a pesquisa no site do 22 de Agosto rapidamente me ocorreu que a gestão do glorioso reagiu ao pedido por mim formulado em nome de alguns colegas, não com a instituição efetiva de um dia sem “maconha” no C. A., mas com uma pesquisa. O núcleo de comunicação do Centro Acadêmico reunido numa de suas reuniões que mais parecem aquelas protagonizadas pelo comitê central dos porcos no livro “A revolução dos bichos” de George Orwell decidiu institucionalizar a baixa do nível do debate que vinha ocorrendo neste site.


Efetivamente não me surpreendeu a estratégia da gestão. Trata-se da retórica do fracassado. Como ensina Arthur Schopenhauer no seu célebre “Como vencer um debate sem ter razão” quando estamos vencidos pelos argumentos do interlocutor, ou ante o fracasso ou ausência de argumentos a única saída que nos pode restar é ridicularizar o interlocutor ou baixar o nível da discussão. Foi exatamente o que os nossos Ilustres representantes fizeram com a famigerada pesquisa.


Não me parece descabida a idéia de elaborar uma pesquisa para consultar a opinião dos alunos sobre o uso de drogas na Universidade, alias não constitui novidade, pois várias instituições já tentaram entender por meio de pesquisas tal comportamento. O problema reside no teor da pesquisa, no seu baixo nível, no teor das opções oferecidas, que se dissesse que beiram ao ridículo estaria sendo eufemista.


O uso de drogas no espaço do Centro Acadêmico é uma questão deveras séria para ser tratada com a infantilidade que observamos no site que deveria ser um espaço digno da seriedade que alçou o 22 de Agosto aos patamares mais elevados entre as entidades estudantis do Brasil.


Opções como “fumo um e tomo um chá na toquinha do 22 que é aconchegante e segura” ou ainda “o problema é ser um crime que sustenta a guerra do tráfico!!! Chama o BOPE” entre outras me parecem ser pouco dignificantes não só para o Centro Acadêmico entidade que sempre se pautou pela seriedade como também para todos os que compõem o corpo discente da faculdade de direito da PUC/SP e daqueles que outrora fizeram parte desta família.


Qualquer discussão democrática e civilizada não pode partir do pressuposto de que alguns estão certos a priori enquanto os outros estão errados, ou que alguns encarnam o mal, enquanto os outros representam o bem, antes mesmo de qualquer exposição de argumentos. O que se percebe ao ler a pesquisa é que a mesma divide a faculdade em dois grupos: os contrários ao consumo de entorpecentes no C. A. e por isso pessoas do mal, adeptas da violência policial, e os favoráveis ao consumo, essas sim pessoas do bem, inofensivas que nada mais fazem se não aproveitar o aconchego da toca para fumar “um”.


Noutra ocasião eu afirmava que se o C. A. não apadrinhava o uso de “maconha” nas suas dependências, pelo menos incentivava pela omissão. Mas agora perece ficar claro que a atual gestão não só apadrinha como incentiva este uso num total desrespeito aos seus associados e as secretárias que labutam naquele espaço físico.


Não convém que se perca de vista que o incentivo ou a apologia ao consumo de qualquer substância entorpecente ilícita é atitude criminosa prevista e punível por lei.


Não bastasse, a enquête em questão é mais um atentado à inteligência e a sensatez dos alunos de direito duma das melhores faculdades de direito deste país. O assunto é sério e por isso merecia um debate também sério, não um debate pautado pelo deboche, pela vulgaridade e pela imbecilidade. Será que a pesquisa é fruto de cérebros entorpecidos ou é uma clara provocação ao bom senso de todos nós?


Atitudes como essa têm motivado um processo de despolitização dos estudantes fazendo a instituição cair no descrédito total. Não parece em vão que em vésperas de eleições estejamos presenciando um dos piores pleitos da história recente do 22 de Agosto, onde os poucos que já tomaram ciência do período são obrigados a escolher entre os ruins o menos ruim... Mas isso é assunto para outro texto. Alias sugiro que todas as chapas concorrentes tomem uma posição sobre o assunto.


Parece-me destarte, manifesta a intenção do C. A em não proibir o uso de “maconha” no seu espaço, portanto, reitero aqui o meu pedido implorando por um dia sem “maconha” no C.A. Ao menos um dia, por favor.


Porém uma questão gostaria de ver esclarecida. Por quê não aparece como opção de votação na enquête em questão o uso da “maconha” como ato revolucionário? Mas se aparecesse não me espantaria num universo em que o ridículo é o critério. Mas o que me consola é saber que Deus não impõe a imbecilidade os mesmos limites que coloca a inteligência humana.


 


 


Escrito por Esteves Hilário, em 30/10/2007, às 18:02

03/10/2007

O dia mundial sem carros e festa da fumaça.

O dia mundial sem carro e a festa da fumaça.



 



                                            Por um dia sem “maconha” no C.A.



 



Recentemente por convenção celebrou-se o dia mundial sem carros, no escopo de diminuir a emissão de gases nocivos ao meio ambiente. Porém, é importante entendermos a proteção ao meio ambiente não apenas como a proteção à camada de ozônio, mas também e essencialmente a preservação da qualidade do ar que respiramos. É exatamente ai que entra o meu pedido.



Recebi na qualidade de ombudsman algumas reclamações e sugestões de alguns colegas especialmente do período noturno sobre a inauguração do “fumódromo” na toca do 22, motivo pelo qual escrevo estas singelas linhas.



O Centro Acadêmico reabilitou a toca do 22 e abriu-a ao público, segundo o próprio C. A. para ser mais um espaço de convivência entre os alunos, porém rapidamente este espaço se transformou num ambiente para o fumo da conhecida planta psicotrópica - “maconha”.



O que não consegui perceber até ao momento em que escrevia o presente texto, é se esta prática granjeava de incentivo da Gestão do glorioso, mas de uma coisa estou certo – A gestão não desincentiva nem proíbe tal prática.  Se o C. A. não incentiva pelo menos apadrinha pela omissão.



Qualquer pessoa que permaneça (especialmente à noite) no C.A. por um período mínimo de dez (10) minutos perceberá um cortejo de pessoas dos mais variados cursos da PUC (não exclusivamente do curso de Direito) que entram e saem da toca com o objetivo de fazer uso de “maconha”.



O artigo 2º da Lei 9.294 de 1996 proíbe o fumo em ambientes fechados, obviamente quiz o legislador proibir o fumo de substâncias legalmente permitidas e não daquelas proibidas como é o caso da “maconha”.



Percebe-se da inteligência do referido artigo que a proibição do fumo em espaços fechados visa a proteger as pessoas que ai estejam proporcionando-as uma qualidade de ar adequada à satisfação das suas necessidades vitais. Portanto, o uso da maconha no C.A. acarreta em si duas ilegalidades. Todavia, se não fosse ilegal seria de qualquer forma imoral na medida em que não respeita a necessidade das outras pessoas respirarem um ar livre de poluição pelo menos em ambientes fechados. Mas não pretendo adentrar o campo da moral pelo caráter subjetivo que ela acarreta.



Portanto, voltemos ao assunto. Alguns me dirão que não se tratar de mero ato de fumar pelo prazer do ato em si e das suas reações, mas de um ato subversivo pela legalização da “maconha”.



Concordo! Ser subversivo contra a ordem jus-política estabelecida é um direito que assiste a todo e qualquer cidadão, porém ser subversivo pressupõe coragem, audácia, e em nenhum momento a subversão compactua com a covardia.



Se pretendem mesmo ser subversivos é porque têm uma inegável vontade de alteração do status quo. Isto quer dizer que se esconder na toca para fumar não é uma atitude compatível com a subversão. É pelo contrário absoluta covardia.



Querem mesmo legalizar o uso da “maconha”? Sejam subversivos, audaciosos encham-se de coragem e façam um ato público ocupem a Av. Paulista e fumem exigindo a legalização desta substância tão querida porém proibida. Não vos acovardeis na toca do 22.



Está ai uma causa realmente importante para se rebelarem pelo menos ninguém ousará chamá-los de rebeldes sem causa.



Outros ainda me dirão que fumar é necessário para melhor pensar. A estes responderei também que concordo afinal somos uma geração perdida e por isso precisamos de drogas para pensar... Mas também gostaria de lembra-los que o inocente ato de fumar um “baseado” nos coloca na condição de consumidores finais, de uma cadeia de produção e comercialização, portanto, o dinheiro que pagamos a quem nos fornece não chega ao final da cadeia sem antes passar pelas mãos do grande traficante e se não se lembram o que ele faz com este dinheiro eu vou lembra-los. Compra armas e o resto vocês devem se lembrar.



Por ora queria em nome destes colegas inspirado no dia mundial sem carros implorar a gestão do glorioso que se institui, um dia mensal sem “maconha” no C. A, para que se possa ao menos neste dia permanecer nesse espaço que é de todos nós.


Escrito por Esteves Hilário, em 03/10/2007, às 18:16

17/09/2007

Crónica ou coisa parecida

Democracia Liberta(ria)





 





“A gestão será um colegiado aberto onde os próprios alunos serão chamados a decidir pelo menos nos assuntos mais importantes”





 





 Nos últimos anos antes mesmo da expressão liberta adentrar o vocabulário dos estudantes de direito e cair no (des) gosto de muitos, já um grupo de estudantes colegas nossos reclamava da falta de democracia nas sucessivas gestões do Centro Acadêmico, enquanto reivindicava para si o monopólio da democracia, e de outras coisas mais.



Ocorre que este grupo assumiu uma identidade e com ela a gestão do 22 de Agosto, e como paladinos do pluralismo começaram um novo modelo de democracia, a famigerada “democracia liberta (ria)”.



Mas o que vem a ser a democracia liberta (ria)?



Norberto Bobbio no seu célebre dicionário de política traz um conceito de democracia que reputo dos melhores que conheço, porém a democracia liberta (ria) não se enquadra neste conceito, nem em qualquer outro que a minha humilde percepção tenha tido contato. Portanto, ao contrário do que possa parecer, não se trata de um mero neologismo, mas de uma definição de uma maneira de ser, de estar, a acima de tudo de exercer política um ambiente “democrático”.



O que seria então a “democracia liberta (ria)?



É antes de mais uma forma de estar ambígua, um tanto paradoxal que viaja do paradoxo ao ridículo uma velocidade supersônica. É um processo que cria na nossa faculdade uma casta ao velho modo indiano, exercido por estudantes de direito que induzem os observadores a dúvida se se trata de aspirantes a juristas ou a filósofos, ou ainda se fazem mesmo PUC ou qualquer coisa na USP. Talvez nem eles mesmo saibam responder.



A democracia para eles não comporta o debate de idéias com os contrários, com as pessoas que ousam pensar de forma diferente, ao contrário limita-se ao pseudo-debate de idéias preferencialmente com quem também é liberta(rio).



Até aqui parece bastante filosófico o que acabo de escrever passemos, portanto, a casos reais, afinal nem filosofo eu sou, muito menos tenho essa pretensão.



O importante agora é entender que estamos numa democracia representativa onde os representantes por força dos votos dos representados, passam a agir de forma discricionária.



Daí emerge algumas indagações. Onde começa e termina o poder discricionário dos representantes, onde começa a ética do representante? (entenda-se a ética como a ciência da moral)



A resposta me parece muito clara, a discricionariedade caminha em paralelo e simultaneamente com a ética. Os atos dos representantes apesar de discricionários, devem ser inevitavelmente éticos.



Em nome da ética que deve orientar tais atos, e a bem da lisura dos procedimentos que o Centro Acadêmico conduz, para não dizer em favor da tão propalada democracia, seria mister o Centro Acadêmico consultar seus representados quando toma decisões importantes que de uma maneira ou de outra vinculam a grande “massa” que compõe o corpo discente da nossa gloriosa faculdade.



A gravidade deste fato é que distancia o estudante do Centro Acadêmico, uma vez que este não se sente representado, não se revê nas decisões discricionárias dos seus representantes.



Partamos da premissa de que as decisões da gestão do Centro Acadêmico vinculam todos os estudantes que representa, para formular algumas indagações:



- A quem o Centro Acadêmico consultou quando ofereceu o apoio dos estudantes de direito da PUC/SP à invasão da reitoria da USP?



- A quem o Centro Acadêmico consultou quando mais recentemente decidiu apoiar a invasão da faculdade de direito do largo São Francisco?



- A quem a gestão do Centro Acadêmico consultou quando optou por abraçar a causa da reestatização da Vale do Rio Doce?



Cito apenas alguns assuntos que tiveram repercussão nacional cuja participação dos alunos da faculdade de direito da gloriosa através do Centro Acadêmico talvez tenha sido fundamental. Não quero, contudo ao bom estilo do Mestre Gomes Canotilho questionar a bondade ou a maldade dos atos em si, mas questionar a falta de diálogo que vem pautando as ações dos nossos Ilustres representantes.



Em campanha eleitoral a atual gestão parecia conhecer a formula mágica para solucionar os mais velhos problemas da PUC e do Centro Acadêmico em conseqüência. Para a comunicação, por exemplo, propunham um jornal mensal, um mural ambulante entre outras coisas, e o que vimos até o momento foi à presença no C. A e nos corredores do segundo andar de um manequim beirando ao ridículo que mais parece um atentado deliberado a nossa pobre inteligência e sensatez.



Os outrora opositores fazem exatamente o mesmo que antes criticavam, indo além pioram o status quo. Mas como a ciência é sábia o grande V.S Naipul já previa este tipo de situações: são os rebeldes “reproduzindo os mesmo males pelos quais se rebelaram”.



Como vocês devem ter percebido, em alguma passagem deste texto que trago a vossa reflexão trato os alunos da faculdade de direito – nós por “massa” e não foi em vão. É isto que parecemos ser neste momento.



O que será que está acontecendo? Ou a gestão não tem competência para nos representar com a dignidade que nos é devida (o que é bem provável) ou há da parte desta um deliberado plano de alienação política dos alunos (o que seria pior) afinal mentes alienadas questionam menos.



Mas seja qual for o plano, consciente ou inconsciente já nos transformaram em “massa”. Como diria o Abade Emanuel Sieyès o que nós queremos hoje é la representation politic.



Consultem-nos por favor.





 





 


Escrito por Esteves Hilário, em 17/09/2007, às 13:46

30/08/2007

Crónica

EU SOU A ESQUERDA


 


 


Enquanto aguardava para que fosse atendido numa repartição pública, peguei no caderno onde escrevo sempre que posso algumas frases que eu mesmo teimo em chamar de poemas, para escrever algumas reflexões que gostaria de partilhar com vocês.


Eu sou à esquerda, afinal eu li Marx em quadrinhos aos seis anos de idade, na minha escola era obrigatório saber a biografia dos camaradas Lênin e Stalin, como nós os íntimos os chamávamos, embora sobre Trotsky não me tenham ensinado nada.


Mas isso não vem ao caso! Eu até li “Órfãos da Perestroika” um verdadeiro divisor de águas. Ninguém nessa universidade pode entender mais de esquerda do que eu. Detenho o monopólio da verdade sobre a esquerda, alias eu sou a esquerda, antes que me esqueça.


Pretensiosa ilusão minha!


Como o titulo pode sugerir aos mais atentos, não se trata propriamente de uma mera sátira, mas de uma vã tentativa de encontrar a verdadeira esquerda neste universo onde todos se dizem de esquerda, embora nem sempre ajam como tal.


Não se trata também de uma crítica a quem quer que seja, mas de uma chamada à reflexão sincera e despretensiosa. Onde está à esquerda na PUC?


Tentei encontrar primeiramente algum conceito que explicasse a esquerda contemporânea, porém, esbarrei-me numa indagação ainda maior. O que é realmente importante para provocar a reflexão, a natureza do conceito esquerda ou um conceito naturalístico de esquerda?


Mas também não tenho a pretensão de explicar o que será esquerda num mundo contemporâneo cada vez mais complexa, nem mesmo numa universidade cuja diversidade (sempre salutar) agudiza as complexidades.


A solução talvez seja buscar em alguns pensadores contemporâneos o conceito. Pois bem. Ouvi Reno Bodei, Patrick Dobbel, Alan Tounain, Marechal Berman e até os lusófonos Álvaro Cunhal e José Saramago entre outros a quem peço vênia, pois a natureza dos sábios conceitos que todos me apresentaram, levou-me cada vez mais distante daquilo que a minha humilde percepção consegue vislumbrar como esquerda na gloriosa.


Bom, entendi finalmente que somos todos órfãos da Perestroika, e com ela talvez tenha sido sepultado o conceito que satisfizesse as nossas necessidades políticas contemporâneas. 


Mas como diz o velho adágio popular “numa casa onde falta pão todos gritam e ninguém tem razão”.


Pois bem. Como estamos órfãos e sem pão, então gritemos e terá razão quem gritar mais alto. O privilégio será daquele ou daqueles que subirem ao poleiro e sem qualquer ponderação a todo custo soltarem a voz e gritarem “eu sou a esquerda”, e conseguirem ser ouvidos além dos muros da Monte Alegre e da Ministro Godoi.


Estes passarão imediatamente a deter o monopólio da esquerda nesta universidade em que à esquerda e a esquerda se confundem.


Os senhores do monopólio passarão pelo seu livre arbítrio ou arbitrariedade (como preferirem afinal eles são donos absolutos) a escolher quem fará parte da nova esquerda, e os infelizes que não forem escolhidos... Ah estes serão qualquer coisa menos esquerda e proibidos de passar perto dela.


Pelo que acabo de refletir ou convidar o leitor a refletir espero que seja fácil descobrir entre os corredores e a prainha onde está à esquerda.


Pois bem! Agora que sei distinguir quem é à esquerda e quem é à esquerda numa faculdade de Direito onde todos nós somos de direita aos olhos da outra esquerda, posso afirmar sem medo de errar!


Estamos diante de uma “pseudo-esquerda” elitista, burguesa, déspota e preconceituosa agarrada aos privilégios da burguesia qual sanguessuga (sem qualquer analogia político-partidário) e que luta de forma desleal para mantê-los contra negros e indígenas, contra estrangeiros, contra prouni e qualquer política de ações afirmativas, afinal a ascensão destes pode significar o fim de privilégios para a “esquerda”, alias, vale sempre lembrar que estamos ante uma luta de classes – pobres contra ricos, dominados contra dominadores, proletários contra patrões, esquerda contra sabe Deus o que ou quem, enfim, o que faz legitima a luta da “esquerda” para manter os privilégios. É dialético.


Mas uma coisa lhes admiro. A capacidade de se camuflarem neste manto que se chama “esquerda” acima de qualquer suspeita, afinal a verdadeira esquerda jamais seria preconceituosa não é?


Gritemos, taxemos todos de direita antes que descubram o que trazemos debaixo dos disfarces.


Será que atingi a maturidade? Afinal nada mais me estranha. Ver uma esquerda elitista, burguesa, ditatorial e preconceituosa que olha para os problemas dos mais desfavorecidos para se auto promover ou para se divertir enquanto está com as mãos desocupadas entre o trago de um “baseado” e a troca da marcha no seu luxuoso Cintroën importado, passou a ser um mero detalhe.


Porém, aplausos para a esquerda da nossa gloriosa, pois afinal se de esquerda não entendemos nada, pelo menos de disfarces e camuflagens somos mestres.


Se fizermos um exame a nossa própria consciência talvez nos sintamos um pouco sujeitos desta crônica, mas se não se rever nela, não se preocupe na faculdade de Direito você encontrará bons mestres pelo menos como se disfarçar de esquerda você concerteza aprenderá, ainda que não aprenda o que é ser efetivamente esquerda. Mas isso não vem ao caso afinal o que importa não é ser de esquerda é parecer ser.


Grite seja “do contra” não pergunte contra o que por quê alguém sempre saberá, ainda que você não o conheça, mas isso também não vem ao caso, pois existirá sempre algum iluminado em algum diretório nacional de algum partido pelo mundo afora para se não pensar por nós pelo menos nos ajudará a fazê-lo.


Preparem-se à revolução vai começar eu mesmo revolucionarei a PUC, o Iraque, a Venezuela, o México, a Bolívia, até os EUA, enfim o mundo afinal eu e sou eu sou à esquerda e que ninguém ouse duvidar disso.


Mais uma vez, pretensiosa ilusão minha!


Eu não posso revolucionar nada, afinal eu não fui escolhido pelos senhores proprietários para fazer parte da nova esquerda. E agora? Isto é algo que incomoda a minha existência pois desde que me conheço como gente sou de esquerda e agora que fui expulso não sei onde atracar meu navio, pois nem à direita me aceitará afinal eu sou à esquerda... Estou a deriva.


 


Escrito por , em 30/08/2007, às 16:01

27/08/2007

Comunicado

Caros colegas!





Como é do conhecimento geral, fui nomeado ombudsman, sem que tivesse sido eleito como é constume entre nós. Ocorre que houve apenas uma candidatura formalizada nos prazos do edital.





Resolvi aceitar a incumbência, tendo em conta que havia me candidatado ao cargo.





Pretendo enquanto durar o meu curto mandato, ter uma postura que não se resuma a meras criticas, mas que consiga estimular o debate de temas importantes para vida da Universidade em geral e da faculdade de direito em particular, e que sejam do interesse do seu corpo discente - nós.





Conto desde já com o apoio de todos para levar a bom porto o navio que ora embarcamos. Aguardo criticas sugestões e sobretudo os temas que  gostariam que fossem abordados pelos emails: ombudsman@22deagosto.ogr.br ou esteves_hilario@yahoo.com.br





Esteves Carlos Hilário





 


Escrito por , em 27/08/2007, às 16:14

ARQUIVOS DE MENSAGENS

[23/11/2007]  [30/10/2007]  [03/10/2007]  [17/09/2007]  [30/08/2007]  [27/08/2007

Receba nossos informativos.
Preencha os dados abaixo:
Nome:
E-mail:
Modalidade