Quatro décadas de Internet
Josué Maranhão - 03/11/2009
REFÚGIO – Na sexta feira passada, 29 de outubro, foi comemorado o aniversário de quarenta anos da Internet.
A data marca a primeira experiência positiva de comunicação entre dois computadores instalados em locais diferentes.
Apesar de outras experiências terem ocorrido antes, eram incipientes. Não tiveram o significado e a importância do trabalho do professor Leonard Kleinrock.
A Internet, sem dúvida, foi uma das mais importantes invenções do século vinte.
Chegou para ficar e, a cada dia, mais penetração alcança, mais importância adquire.
O que mais se discute, na atualidade, é o avanço da Internet entre os demais meios de comunicações.
O jornal impresso vai desaparecer? Há previsão no sentido de que, em não muito tempo, o uso do papel impresso, de modo geral, seria exceção, ante a descoberta e as inovações na leitura de livros, por exemplo, por meios eletrônicos.
Há, efetivamente, um exagero. Ou, pelo menos, muita água ainda vai correr antes que se elimine o uso do papel.
De qualquer forma, os ambientalistas vibram com a perspectiva de ser reduzida (ou até eliminada) o derrubada de árvores para fabricação de papel.
Recente congresso realizado em São Paulo reuniu experientes jornalistas dos mais diversos lugares do mundo. Foi a oportunidade para discutirem e analisarem o uso da Internet como veículo de mídia.
Algumas definições surgiram dos debates. Há necessidade, por exemplo, de maior responsabilidade e melhor cuidado na elaboração de notícias e reportagens através de sites especializados.
A livre circulação cria a possibilidade de divulgações de boatos, inverdades, exageros, o que ainda afeta a credibilidade da Internet. Daí a necessidade de que haja uma rigorosa checagem das informações.
Além de ser o meio de comunicação mais democrático, no Brasil, atualmente, a Internet é superada, apenas, pela televisão, em termos de penetração junto ao público. O que se verifica, por conta disso, é que os setores de marketing têm destinado somas fabulosas para a televisão, mas ainda relegam a Internet a uma posição muitas vezes inferior, secundária em termos de faturamento.
Uma constatação é que, com os avanços alcançados, nada existe que possa ser feito de modo impresso que não se faça também online.
Já se comprovou, ademais, que não procede o argumento no sentido de que a Internet se destina à divulgação de notícias rápidas, instantâneas, enquanto que os jornais se encarregariam do aprofundamento do tema.
Afora o uso como veículo de mídia, atualmente a Internet é usada nas mais diversas atividades, facilitando a vida de todos.
No meu caso, evidentemente, o surgimento da Internet permitiu-me ser um os pioneiros em trabalhos à distância.
Há aproximadamente catorze anos, quando surgiu a oportunidade para a minha mudança, com a família, para viver no exterior, tudo somente foi possível graças à existência da Internet.
À época, ainda mantinha ativa atuação na área jurídica, como sócio de um escritório de advocacia em São Paulo, onde vivia há trinta anos.
A mudança somente se tornou viável depois que pude comprovar, em Jacarta, na Indonésia, que era possível trabalhar através da Internet.
Parece-me que fui um dos pioneiros na prática de trabalho à distância, como advogado. Há, aliás, um detalhe interessante: por conta do fuso horário, com a diferença de dez horas entre Jacarta e São Paulo, o meu escritório ficava no ar durante 24 horas. Enquanto eu trabalhava lá na distante Ásia, meus sócios dormiam, era noite no Brasil. O inverso ocorria quando era dia em São Paulo.
Deu tudo certo. Tanto assim que adotei idêntica experiência quando me mudei para os Estados Unidos e passei a viver em Boston. Ainda durante cinco anos mantive a minha atividade advocatícia exclusivamente com o uso da Internet.
Aposentado como advogado, voltei à atividade jornalística, principalmente mantendo esta coluna há mais de cinco anos, sempre à distância.




















