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Saiba quais são as principais mudanças da nova ortografia

24 de março de 2012

* texto retirado do blog do professor João Bolognesi

A ortografia compõe, entre as línguas escritas, o capítulo que estuda e organiza a forma correta de se escrever uma palavra. Havendo problemas com hífen, acento e letra, isso é assunto da ortografia. Em geral, bons dicionários já resolvem nossas principais dúvidas, mas há certas combinações que deixam qualquer um sem resposta. A nova ortografia passou a vigorar em 1.º de janeiro de 2009 e teremos até 31 de dezembro de 2012 para nos acostumarmos com as mudanças. Em 1.º de janeiro de 2013, a língua portuguesa no Brasil passa a ser usada somente com base nas novas regras. Até lá, conviveremos com as duas ortografias, a fim de que a assimilação seja feita sem traumas nem escândalos.

Uma das principais obras de uniformização de nossas palavras é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), lançado e atualizado pela Academia Brasileira de Letras. Nessa obra, muitas dúvidas são superadas e grafias vacilantes são uniformizadas. Os principais impasses, em resumo, ocorrem na formação de substantivos compostos, algo de dificílima regulação; já quanto aos prefixos e ao hífen, em sua imensa maioria, o acordo simplificou o uso; na acentuação, não há novos acentos, mas sim algumas regras que deixam de existir. Globalmente, o acordo tornou a grafia mais simples, embora haja muitas exceções tendo por base o uso, a consagração, a tradição.

Não deve o brasileiro pensar que o acordo retira de cena as dificuldades clássicas, como o uso de x, z, s, c, ss, sc, g, j… As novas regras atingem uma parcela ínfima e logo se perceberá que, em momentos raros, muito de vez em quando, aparece uma palavra na grafia nova. Para exemplificar: embora esta página já esteja escrita com base nas novas regras, com quase 300 palavras até aqui empregadas nenhuma se usou do acordo.

Outro fato relevante é que haverá a saída de vários acentos e do trema, mas isso não alterará a pronúncia das palavras, ou seja, em frequente, aguentar, tranquilo e sagui, continue a falar o “u” normalmente. As palavras heroico e ideia não mais serão acentuadas, porém a pronúncia aberta não deve ser alterada. Aprenderemos a conviver com teia e geleia tal como vivemos em paz com “o acordo” e “eu acordo”. Tudo será uma questão de tempo e uso e prevalecerá nossa memória auditiva, a mesma que distingue “sede de água” de “sede do clube”.

Nessa fase de transição, torna-se muito importante o bom senso das pessoas envolvidas em avaliações e seleções de candidatos, a fim de que não haja abuso nas questões de provas. Os editais devem ser bem pontuais, dando ao candidato limites claros do que pode ser cobrado. Até 1º/1/2013, publicaremos pequenas lições aprofundando alguns temas específicos da nova ortografia. Havendo dúvida, faça contato. Teremos prazer em responder.

Abaixo você encontrará um resumo das principais mudanças:

Alfabeto
Passa a ter 26 letras, ao incorporar “k”, “w” e “y”. A inserção das novas letras assim deve ser feita: …j, k, l…v, w, x, y, z. Para lembrar-se da posição em que elas estão no alfabeto, pense da seguinte forma: JK (famoso presidente norte-americano); “w” é um duplo “v”, primeiro vem um “v”, depois “w”; já o “y” é a penúltima letra e é bastante usado em enumerações genéricas (“não se pode incriminar x, y ou z sem haver um motivo”).

Trema
Deixa de ser usado, a não ser em nomes próprios estrangeiros e seus derivados. Diante de quente e frequente, agora formalmente iguais, deve prevalecer a nossa memória auditiva, pois o “u” de frequente continua a ser pronunciado, embora ausente o trema.

Acento diferencial
Da lista antiga, apenas ficaram dois usos; além disso, surgem dois novos, mas em situação facultativa, o que induz ao uso para situações de ambiguidade.

1. É de uso obrigatório no verbo pôr, para que ele se oponha à preposição por, e em pôde (forma do pretérito), para se distinguir de pode (forma do presente).

2. O uso é facultativo em dêmos (forma do presente do subjuntivo), para que se distinga de demos (forma do pretérito do perfeito do indicativo), e na palavra fôrma/forma, para que se possa distinguir som fechado do aberto (a forma do bolo e a fôrma do bolo).

Acento circunflexo
1. Não se usará mais nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler, ver e seus derivados. A grafia correta será creem, deem, leem e veem; descreem, releem, anteveem, preveem, reveem.

2. Também foi abolida a regra que exigia acento em palavras terminadas em oo; passamos, agora, a usar: abençoo, abotoo, enjoo, povoo, voo, etc.

Acento agudo
1. Não se acentuam mais palavras paroxítonas que trazem os ditongos abertos “ei” e “oi”: alcateia, androide, eu apoio, ele apoia, que eu apoie, assembleia, boia, boleia, claraboia, colmeia, Coreia, debiloide, epopeia, estoico, estreia, eu estreio, geleia, heroico, ideia, jiboia, joia, odisseia, paranoia, paranoico, plateia, tramoia.

Observação: o acento prossegue, porém, quando os ditongos “éi”, “éu” e “ói” ocorrem nas palavras oxítonas: anéis, carretéis, fiéis, papéis, pastéis, céu, chapéu, véu, corrói, constrói, mói, herói. Paroxítonas que trazem os ditongos “ei” e “oi”, mas são terminadas em “r” – como Méier, destróier, blêizer, gêizer –, são acentuadas.

2. Também não se acentuam palavras paroxítonas que trazem “i” e “u” tônicos precedidos de ditongo: baiuca, bocaiuva, boiuno, cauila, feiura, etc. Como são poucas e raras palavras, a alteração é mínima. Conclua que, exceto a situação acima, “i” e “u” tônicos precedidos de vogal recebem acento normalmente: atraí-lo, baú, construí-lo, Esaú, excluí-lo, Luís, país, alaúde, amiúde, Araújo, Ataíde, atraíam, atraísse, baía, balaústre, cafeína, ciúme, egoísmo, faísca, graúdo, juízes, miúdo, paraíso, raízes, recaída, retraí-lo, ruína, saída, sanduíche etc.

3. Deixam de ser acentuadas as formas “que”, “gue” e “gui” em verbos como averigue, apazigue, argui, arguem, oblique.

Hífen e prefixo
Para os prefixos (como: ante, anti, circum, contra, entre, extra, hiper, infra, intra, sobre, sub, super, supra, ultra) e em elementos de composição de origem grega e latina (como: aero, agro, arqui, auto, bio, eletro, foto, geo, hidro, hipo, homo, inter, macro, maxi, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pseudo, psico, retro, semi, tele), seguem-se os seguintes usos:

1. Usa-se o hífen se a palavra seguinte se inicia com a letra h: anti-higiênico, anti-horário, micro-habitação, mini-hotel, super-herói, super-homem.

2. Havendo igualdade de letra entre o prefixo e a palavra seguinte, usa-se o hífen: contra-ataque, anti-inflamatório, arqui-inimigo, micro-ondas, micro-ônibus, semi-internato, inter-racial, inter-regional, sub-base, sub-bonificação, super-revista.

3. Sendo vogais diferentes, a união deve ser feita sem a presença de hífen: aeroespacial, agroexportação, antiético, autoelogio, extraescolar, infraestrutura, intrauterino.

4. Quando o segundo elemento começa com s ou r, devem essas consoantes ser duplicadas: antirreligioso, biorritmo, contrarregra, contrassenso, antissemita, antissocial, autossuficiência, hipossuficiência, microssistema, minissaia, minissérie, ultrassom.

5. Quando o prefixo se une a uma palavra iniciada com consoante (exceto r, s ou h), não há o uso do hífen:
antidrogas, autotutela, biopirataria, contragolpe, contrapartida, extralegal, homofobia, minimundo, neonaturalismo, pluripartidário, retroprojetor, ultrademocrático.

Apesar da maravilhosa simplificação, há alguns problemas que devem ser reconhecidos:

– quanto aos prefixos co, des, in e re, há palavras que já se consagraram com a perda do h e a junção sem hífen: desabitado, desarmonioso, desumano, desumidificar, inábil, inumano, reabilitação, reabitar, reaver, reumanizar etc. Além disso, o acordo ortográfico manterá as grafias consagradas com o prefixo co e re, mesmo em situações em que haja igualdade entre as vogais: coobrigar, coobrigação, coocupar, coocupante, cooficiar, coordenar, coordenação, cooperar, cooperação; reedição, reedificar, reeducar, reelaborar, reeleger.

– nos prefixos hiper, inter e super, ao se unirem a palavras iniciadas com s, só se deve usar um s: hipersensibilidade, intersindical, supersafra, supersônico.

– nos prefixos circum e pan, haverá hífen caso a palavra seguinte se inicie com m, n, h ou vogal: circum-navegação, circum-hospitalar, circum-ambiente, pan-africano, pan-americano, pan-helênico, pan-hispânico, pan-mágico, pan-negritude.

– nos prefixos ab, ob, sob e sub, haverá o uso de hífen se a palavra à frente começar por r ou b: ab-reptício, ad-renal, ob-rogar, sub-raça, sub-reitor, sub-rogar, sub-base, sub-burgo, sub-bosque. Em ad, usa-se o hífen somente diante de palavras iniciadas por r ou d: ad-renal, ad-referendar.

– com os prefixos pós, pré e pró (quando usados com acento) e em aquém, além, bem, ex, grã, grão, recém, sem, sota, soto, vice e vizo, o hífen é usado sempre: pós-graduação, pré-requisito, pró-alfabetização, ex-presidente, além-mar, bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado, bem-vindo, ex-governador, ex-prefeito, grão-mestre, recém-nascido, recém-transportado, sem-número, sem-vergonha, soto-mestre, vice-prefeito, vizo-rei.

– mal, em uso prefixal, receberá hífen diante das vogais, h e l: mal-entendido, mal-estar, mal-humorado, mal-limpo.

– não e quase, quando usados como prefixos, não recebem mais o hífen: o não pagamento, a não agressão, o não fumante, quase delito, quase irmão, quase contrato, quase flagrante.

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