A imagem do advogado
Bruno Calil Fonseca - 21/01/2005 - 00h00
ITABERA? - A imagem p?blica do advogado no exerc?cio de sua atividade profissional.

Em primeiro lugar, ? preciso n?o esquecer de que o C?digo de ?tica Profissional do advogado e sua imagem p?blica se entrela?am e se completam, porquanto ? na observ?ncia exemplar das disposi??es guardadas nesse reposit?rio de normas de comportamento que vamos identificar a imagem p?blica do advogado, na plenitude de sua realiza??o profissional.

N?o basta, contudo, que os militantes da advocacia saibam de cor todas as regras encerradas nessa cole??o de preceitos de conduta, o que redundaria em simples exerc?cio de mem?ria. Muito mais do que memorizar normas codificadas no C?digo de ?tica _? fundamental que o advogado tome consci?ncia de quanto ? bela e grandiosa nossa profiss?o, tanto mais bela quanto mais grandiosa, na medida em que for elevada ? categoria de sacerd?cio.

A bem dizer, o exerc?cio profissional da advocacia n?o se esgotam na formula??o de peti??es, arrazoados, recursos, acompanhamento de causas perante as v?rias inst?ncias, na consulta aos autos _dentro ou fora dos cart?rios_, no trato pessoal com clientes, juizes, promotores, serventu?rios da Justi?a.

O exerc?cio da advocacia alcan?a horizontes mais largos, onde a dignidade, o desprendimento e o esp?rito de miss?o se fundem num verdadeiro e fecundo sacerd?cio. Dessa fus?o, emerge a imagem p?blica do advogado, cuja notoriedade n?o se exaure, apenas, na observ?ncia de uma conduta moral irrepreens?vel, mas, tamb?m, invade o territ?rio fascinante da est?tica, cuja manifesta??o se traduz no modo elegante de falar e de escrever, o que n?o importa, necessariamente, no culto fetichista ?s regras gramaticais. Aqui, a est?tica se confunde com a simplicidade e a clareza de linguagem. ? o quanto basta.

Certo e irrecus?vel ? o que acaba de ser anunciado. Contudo, para que a imagem p?blica do advogado n?o se enfraque?a no corpo a corpo da luta profissional, ? mister que se concretize a li??o do imortal Calamandrei, segundo a qual "todas as liberdades s?o v?s se n?o podem ser reivindicadas e defendidas em ju?zo, se os juizes n?o s?o livres, cultos e humanos, se o ordenamento do ju?zo n?o est? fundado, ele mesmo, sobre o respeito da pessoa humana, que reconhece a todo homem uma consci?ncia livre, ?nica respons?vel por si mesma e por for?a disso inviol?vel".

Como se v?, a imagem p?blica do advogado, sua plena realiza??o tem muito a ver com a maior ou menor possibilidade de se tornar efetivo o ensinamento do insigne jurista italiano.

Essa imagem se faz presente nestes tempos temer?rios, para a consolida??o do Estado Democr?tico de Direito, para a preserva??o dos institutos jur?dicos, ainda n?o consolidados, inscritos na Constitui??o Federal (mandado de injun??o, habeas data, mandado de seguran?a coletivo), atrav?s de atua??o serena, corajosa e perseverante perante ju?zos e tribunais, o que significar? a honra e a glorifica??o do exerc?cio da advocacia a servi?o do homem como medida de todas as coisas.
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Bruno Calil Fonseca, 41 anos, é advogado em Itaberaí (GO). Formado em direito pela Universidade Católica de Goiás UCG-GO, 1987, é pós graduado em direito do trabalho pela PUC-SP em convênio com UCG-GO, em 1998. Além disso, é presidente da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de Itaberaí, sendo, inclusive, seu fundador e membro da Academia Itaberina de Letras e Artes – AILA. Possui diversos artigos publicados em revistas especializadas.
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