O ensino jur?dico sob uma nova ?tica
Marcelo Di Rezende Bernardes - 03/02/2005 - 00h00
GOI?NIA - J? h? muito percebemos com clarivid?ncia solar que a qualidade do ensino jur?dico em nosso pa?s, de uma forma geral, mesmo com o empenho herc?leo por meio da a??o conjunta de certos professores, educadores e dirigentes, anda deveras capenga e vacilante, n?o sendo sequer eximidas da chibata nem as tradicionais universidades do pa?s, onde, recentemente, tivemos a infeliz not?cia de que alguns de seus cursos, tanto de gradua??o quanto de p?s-gradua??o, foram reprovados pelo MEC.

Muitos acreditam estar identificada na maci?a prolifera??o dos cursos de direito, a real causadora na tal queda na qualidade deste ensino, pois estariam estas nov?is institui??es de ensino criadas detendo apenas interesses mercantilistas gritantes e qui?? delet?rios, estando assim, na dire??o contr?ria de se prestar melhores servi?os aos rec?m-ingressos acad?micos, t?o carentes de uma educa??o superior jur?dica de qualidade.

Pois bem, acontece que, em que pese o relevante motivo dantes elencado estar em algumas ocasi?es correto (em verdade existem v?rias faculdades de direito de qualidade duvidosa), temos a enxergar com facilidade, sob um outro prisma, de que tamb?m uma vistosa parcela dos jovens estudantes de ensino superior como um todo, em especial os que cursam direito, encontram-se por demais alienados, totalmente descompromissados com o curso que escolheram, nem mesmo sabendo com certeza que profiss?o ir?o seguir.

Destarte, constatamos que grande parte destes alunos, apenas destacando um singelo exemplo, desprezam com vigor a t?o necess?ria preocupa??o de praticar o salutar h?bito da leitura, atividade deveras importante para quem milita na profiss?o jur?dica, pois entendemos que ser? por interm?dio desta que saberemos efetuar o uso escorreito da palavra, seja ela escrita ou falada, e que, de igual forma, ? imprescind?vel para o desenvolvimento v?lido de um bom trabalho.

Atentemo-nos, ainda, para o fato de que, no caso dos que resolverem abra?ar o laborioso e gratificante mister da advocacia, essa import?ncia torna-se ainda maior, pois a confian?a e seguran?a no profissional que sabe manusear a pena jur?dica representam crit?rio indispens?vel na hora da sua contrata??o.

Penso que o quadro profissional presente e mesmo futuro que se desenha ? por demais preocupante, onde recentemente no Exame de Ordem realizado em S?o Paulo tivemos apenas pouco mais de 8% dos candidatos aprovados, ao passo que devemos considerar como uma vit?ria os 27% que alcan?aram nota m?nima para adentrar na se??o de Goi?s da Ordem dos Advogados do Brasil, mui digna seccional que abrange a principal localidade em que atuo.

N?o nos olvidemos ainda de mencionar a constante sobra de vagas em concursos p?blicos realizados para preenchimento de cargos na magistratura, Minist?rio P?blico etc., onde se conclui, indubitavelmente, pela exist?ncia de falhas alarmantes no ensino jur?dico ora ministrado.

No entanto, os alunos em geral, esses descompromissados citados inicialmente, precisam assumir sua parcela de culpa por este triste quadro. Culpar institui??es de ensino renomadas ou mesmo as rec?m criadas e seus professores catedr?ticos para justificar o seu pr?prio fracasso ? no m?nimo inaceit?vel.

Entendo que uma carreira jur?dica de sucesso, seja ela qual for a de sua voca??o, deve ser pautada com pr?vio planejamento por seu pretendente, ou seja, desde o ingresso na faculdade, ou ainda, se poss?vel, at? antes, tra?ando um perfil fulcrado em uma s?lida forma??o geral (t?cnico-jur?dica e pr?tica) al?m da human?stica.

A capacidade de an?lise e articula??o de conceitos e argumentos, de interpreta??o e valora??o dos fen?menos jur?dico-sociais, aliada a uma postura reflexiva e vis?o cr?tica que fomente a capacidade de trabalho em equipe de maneira din?mica, al?m da qualifica??o para a vida, o trabalho e o desenvolvimento da cidadania, fazem parte dos caracteres que devem estar impregnados no hoje estudante de direito, para se gerar, no futuro pr?ximo, o profissional jur?dico bem sucedido.
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Marcelo Di Rezende Bernardes é sócio do escritório Rezende & Almeida Advogados Associados, em Goiânia, e delegado federal da Associação Goiana dos Advogados (AGA). Especializado em direito empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é membro do Instituto de Direito Empresarial, Internacional e Ambiental (IDEA), do Instituto Nacional de Direito Público (INDIP), da Sociedade de Estudos Jurídicos (SOCEJUR) e member of American Chamber of Commerce DF/GO (AMCHAM).
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