FUTEBOL
Enfim, a tecnologia na Copa
Fifa se rendeu à 'goal-line technology' e, pela primeira vez, os árbitros têm o auxílio de elementos externos para tomar suas decisões
Gustavo Lopes Pires de Souza - 20/06/2014 - 14h16

Na partida entre França e Honduras, enfim, a tecnologia criada para confirmar o gol foi utilizada. O lance que fez história se deu aos dois minutos do segundo tempo e era válida pelo grupo E da primeira fase da Copa do Mundo do Brasil.

O lance fatídico se deu após um lançamento de Valbuena em que o atacante francês Benzema cabeceou na saída do goleiro hondurenho Valladares. A bola tocou na trave esquerda, voltou em direção ao goleiro de Honduras, mas cruzou a linha do gol, após tocar nas mãos do arqueiro.

O árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci ao perceber em seu relógio que a bola havia cruzado integralmente a linha do gol, correu para o centro do campo sem qualquer dúvida.

Dentre os principais esportes do mundo o futebol é o que menos alterações sofreu em suas regras ao longo da história.

A principal mudança foi referente ao impedimento. Inicialmente, não era permitido passar a bola para a frente, como ocorre no rúgbi. Mais tarde, estabeleceu-se número mínimo de jogadores entre o que recebe o passe e o gol, até chegar à regra atual de dois defensores.

Desde a criação das regras do futebol, há mais de 150 anos, também foram criados o pênalti, as substituições, os cartões amarelos e vermelhos, por exemplo.

Com relação à utilização da tecnologia, o futebol tem sido bastante resistente.

Qualquer proposta de mudança nas regras do futebol só entra em vigor depois de aprovada pela  Ifba (International Football Association Board), uma comissão formada por quatro representantes da Fifa e um de cada federação de futebol britânica (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales), os criadores do futebol. Para aprovação,as propostas devem ser aceitas por seis dos oito membros. A Fifa e a Ifba são extremamente conservadoras.

Apesar disso, o futebol finalmente se rendeu à tecnologia com a “goal-line technology” na Copa das Confederações e no Mundial de Clubes e, pela primeira vez, os árbitros têm o auxílio de elementos externos para tomar suas decisões em campo.

A Copa do Mundo do Brasil é o primeiro Mundial a utilizar essa tecnologia que,enfim, decidiu um lance polêmico trazendo mais transparência e credibilidade ao evento. Trata-se de um passo singelo, mas muito importante para a evolução do futebol.

Gustavo Lopes Pires de Souza é mestre em Direito Desportivo pela Universidade de Lérida (Espanha), diretor do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo e coordenador do curso de gestão e direito desportivo da SATeducacional.Autor do livro "Estatuto do Torcedor: A Evolução dos Direitos do Consumidor do Esporte", é auditor do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) da (CBAt) Confederação Brasileira de Atletismo.
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