DIREITO DESPORTIVO
A violência vencerá o futebol?
Recentes episódios na Grécia contrastam com boas iniciativas tomadas no Brasil
Gustavo Lopes Pires de Souza - 27/02/2015 - 15h16

O mundo do futebol foi surpreendido pela vitória da violência sobre o futebol. Isso porque o governo da Grécia decretou a suspensão do campeonato nacional por tempo indeterminado em razão de graves incidentes que antecederam o clássico entre o Panathinaikos e o Olympiacos.

Os torcedores do Panathinaikos invadiram o campo quando o treinador da equipe adversária realizava seu ritual de tocar nas redes em frente à torcida.

Infelizmente, a violência tem sido uma constante nos estádios de futebol pelo mundo a fora e, alguns países em específico, dentre eles o Brasil, parecem estar na iminência de deixar o futebol sucumbir.

No Brasil, o Estatuto do Torcedor traz alguns dispositivos que buscam combater a violência nos estádios de futebol, mas tem se mostrado insuficiente. Ademais, não há previsão legal para suspensão das partidas de futebol, como se deu na Grécia.

O ano de 2015 começou com alguns lampejos de genialidade no combate à violência. A primeira grande medida se deu no Recife quando a campanha “security moms” levou ao clássico Sport e Náutico as mães dos torcedores como seguranças que receberam treinamento. A campanha trouxe certa comoção aos torcedores que, emocionados, abraçaram suas mães.

No Paraná, as Diretorias de Atlético e Coritiba sob o slogan “Uma Disputa Sadia. Um aperto de mão” lançaram a campanha “Sempre Rivais. Nunca Inimigos.” A campanha foi, de pronto, abraçada pelas torcidas organizadas que fizeram uma bela festa sem violência no primeiro clássico do ano.

Finalmente, no Rio Grande do Sul, Inter e Grêmio criaram o “clássico da paz” ao reservar um espaço de dois mil lugares para que colorados e gremistas sentem-se lado a lado no primeiro “Gre-nal” do Gaúcho. Neste espaço, o colorado terá o direito de levar um acompanhante tricolor.

Estas medidas, ao mesmo tempo em que representam uma forma da sociedade civil se movimentar, demonstram um incrível amadurecimento dos dirigentes, que deixaram a rivalidade agressiva de lado e decidiram usar a paz para promover o evento.

Tais medidas nos trazem a sensação de que algo de muito bom está para acontecer e de que logo estaremos muito longes do caos instalado no futebol grego.

Gustavo Lopes Pires de Souza é mestre em Direito Desportivo pela Universidade de Lérida (Espanha), diretor do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo e coordenador do curso de gestão e direito desportivo da SATeducacional.Autor do livro "Estatuto do Torcedor: A Evolução dos Direitos do Consumidor do Esporte", é auditor do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) da (CBAt) Confederação Brasileira de Atletismo.
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