PARECER EM INQUÉRITO
“Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer”, diz promotor
Mariana Ghirello - 16/09/2011 - 18h27
“Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer”. A frase, que poderia se encaixar em algum filme policial, está no parecer do promotor Rogério Leão Zagallo, do 5º Tribunal do Júri de São Paulo. O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) encaminhou o documento para a corregedoria apurar a conduta do integrante.
Leia mais:
Câmara aprova punição para crimes cibernéticos
STF nega habeas corpus e Mizael Bispo dos Santos continua preso
Desembargador pede vista após três ministros negarem liberdade para Carlinhos Cachoeira
Depoimentos dos delegados derrubam provas no STF, diz advogado de Demóstenes
O parecer opina pelo arquivamento de um inquérito aberto para apurar a morte de uma pessoa em uma troca de tiros, entre um policial e dois supostos assaltantes. O inquérito investigava as condições em que ocorreu a morte do suspeito.
O documento começa narrando os fatos do dia em que as mortes aconteceram. Segundo o relato, o policial estava dentro de um carro parado no semáforo quando foram abordados por dois homens armados.
Os dois suspeitos entraram no veículo e anunciaram o assalto, e o policial lhe deu voz de prisão. Teria ocorrido, então, a troca de tiros. Um dos acusados teria sido, neste momento, segundo o policial, atingido, enquanto o outro fugiu.
O promotor segue narrando o que aconteceu, mas agora com elementos cinematográficos. “Após tal fato, quase toda a Polícia Civil, os Jedis, os Power Ranger, os Brasinhas do espaço, a Swat, Wolverine, o Exército da Salvação, os Marines, Iron Man, a Nasa, os membros da Liga da Justiça e o Rambo, auxiliados pelo invulgar investigador Esquilo Secreto, se irmanaram e realizaram uma operação somente vista em casos envolvendo nossos bravos policiais civis”, descreve o promotor.
“Sem embargo do esforço — e que esforço — dos membros da força tarefa intergalática, Thiago [o assaltante que escapou] não foi preso. Para identificar e prender o parceiro do falecido (foi tarde...) Antônio”, explica o integrante do Ministério Público.
Sempre que o promotor se refere ao suposto criminoso morto pelo policial tece elogios à ação. “O agente, portanto, matou um fauno que objetivava cometer um assalto contra ele, agindo absolutamente dentro da lei", diz o parecer.
Ele encerra o parecer opiniando pelo arquivamento do inquérito contra o policial "Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer. Lamento, todavia, que tenha sido apenas um dos rapinantes enviado para inferno. Fica aqui o conselho para [nome do policial]: melhore sua mira", finaliza.
Siga Última Instância no Twitter
Livros sobre direito penal
Advogado autor de romance policial conta como une a carreira jurídica à literária
Livro aborda o trabalho como meio de combate à criminalidade
Autor examina alternativas ao sistema prisional com base nos direitos humanos
Direito penal do inimigo é solução simples e afronta princípio da dignidade
Livro aborda pensamento de Foucault em sua relação com o Direito
Livro reúne artigos escritos por pesquisadores da área criminal
Juiz Sergio Fernando Moro esclarece particularidades do crime de lavagem de dinheiro
Delegado estuda o tratamento penal de facções criminosas
Comissão da Verdade não terá presidente nem interferência do Governo
Pauta do Supremo desta quarta prevê debate sobre foro privilegiado a ex-autoridades
Santander não pode debitar da conta de cliente dívida contraída com banco Real
STJ nega pedido de indenização de ex-chefe da Veja contra Nassif e IG
TSE reduz multa aplicada a Lula de R$ 900 mil para R$ 20 mil



