REGIME MILITAR
Comissão da Verdade divulga confissão de Malhães sobre mortes e torturas
Em depoimento aberto nesta sexta-feira (30/5), ex-coronel afirma ter participação em crimes ocorridos durante o regime militar
Da Redação - 30/05/2014 - 13h31

Foi divulgado nesta sexta-feira (30/5), pela Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, o depoimento do coronel aposentado Paulo Malhães, encontrado morto no último 25 de abril.  No documento, o militar confessou ter matado e participado de torturas durante o regime militar (1964-1985).

Leia aqui a íntegra do relatório da Comissão da Verdade

Durante quase 20 horas o coronel fez uma série de confissões. Entre elas, a de ter sido responsável pelo desaparecimento do corpo do ex-deputado federal Rubens Paiva, morto sob tortura em 1971. Porém, o que foi feito com ele não foi revelado: "Não vou revelar a cereja do bolo". Falou ainda que "Rubens Paiva morreu por um erro. Alguém cometeu um erro para ele morrer. Não era para ele morrer".

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Outra questão polêmica do depoimento foi a Casa de Petrópolis. O coronel deu a entender que foi um dos idealizadores da casa até hoje conhecida como um centro clandestino de tortura de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985). O local era considerado por eles como uma espécie de "laboratório clandestino fora dos espaços militares, que permitia uma atuação mais livre e mais violenta em seu aspecto psicológico. Segundo ele 'era para ser um lugar calmo, tranquilo, e despercebido'".

Em seu depoimento, o coronel nega que tenha havido tortura dentro da Casa de Petrópolis, mas se contradiz mais adiante. Conta que tinha um “aparelhinho de choque especial” e que a melhor forma de usá-lo era conectando as duas pontas às orelhas do preso.

Reconheceu ainda que o Exército adotou a política de desaparecimento. A técnica de ocultação de cadáveres utilizada retirava a arcada dentária, as pontas dos dedos e cortava o ventre das vítimas antes de colocá-las em sacos impermeáveis e lançá-las em um rio na região serrana do Rio de Janeiro, tornando impossível a localização e identificação.

Segundo o coronel, tal prática foi utilizada no desenterro dos restos mortais do deputado Rubens Paiva, no assassinato de Onofre Pinto, no massacre de Medianeira, em Foz do Iguaçu, e no destino dado ao corpo do deputado. Para Malhães tudo isso “apenas um trabalho científico, adquirido em cursos de aperfeiçoamento”.

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