CORRUPÇÃO
Em depoimento a Moro, Lula fala sobre nomeações na Petrobras
Ex-presidente foi arrolado como testemunha de defesa de Eduardo Cunha
Agência Brasil - 01/12/2016 - 16h30

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depôs na tarde de quarta-feira (30/11) perante o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato. Lula foi arrolado como testemunha de defesa de Eduardo Cunha na ação penal movida contra o ex-deputado e falou por meio de videoconferência na Justiça Federal em São Bernardo do Campo (SP). Cunha estava na audiência em Curitiba, ao lado de seus advogados, do representante do Ministério Público Federal e do juiz Moro.

Lula foi questionado pela defesa de Cunha sobre nomeações para cargos na Petrobras, como o caso do ex-diretor Nestor Cerveró. “A nomeação do Cerveró se deu da mesma forma que [a de] outros membros da direção da Petrobras, ou seja, a indicação é feita em uma conversa entre o ministro da área com um partido, com a bancada do partido que fez coalizão com o governo. Essa pessoa – se indicada pelo partido – vem através do ministro de Relações Institucionais para a Casa Civil, que manda para o GSI [Gabinete de Segurança Institucional]. Se não tiver nada contra essa pessoa, essa pessoa é indicada para o Conselho da Petrobras, que é quem nomeia na verdade o Cerveró e qualquer outro dirigente”, disse Lula.

A defesa de Cunha perguntou se o ex-senador Delcídio Amaral (MS) ou o ex-governador de Mato Grosso do Sul Zeca do PT pediram que Cerveró assumisse o cargo na Petrobras. “Não, a informação que eu tenho é de que a indicação era do PMDB.”

“Vossa excelência sabe dizer qual foi a participação de José Carlos Bumlai na tentativa de manter Nestor Cerveró na Diretoria Internacional?”, questionou a defesa, que teve resposta negativa de Lula.

O ex-presidente foi perguntado se tinha conhecimento de quem havia indicado Jorge Zelada para a Pretrobras. “Eu acredito que tenha sido o PMDB, da mesma forma que o Cerveró foi indicado”, disse.

“Só tem uma exigência que nós fazemos para indicar alguém: é que a pessoa seja tecnicamente competente, que a pessoa tenha conhecimento da atividade que vai fazer, e todos eles que foram indicados são pessoas que tem competência e história dentro da Petrobras”, acrescentou Lula.

A defesa insistiu e perguntou se Lula tinha conhecimento da participação de Eduardo Cunha na nomeação de Jorge Zelada como diretor Internacional da Petrobras. O ex-presidente negou. Questionado se houve na época alguma vinculação entre a escolha do Jorge Zelada como diretor e a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Congresso, Lula respondeu que não.

O Ministério Público Federal (MPF) questionou quais partidos tinham participação na indicação de cargos na Petrobras. Lula respondeu que eram os partidos integrantes da base do governo. O procurador insistiu se todos os partidos da base fizeram indicações ou se ficaram restritas a algumas legendas. Lula respondeu que alguns partidos indicaram, porque não existe cargo para todos.

"Eu já expliquei, mais de uma vez, que, quando o partido compõe uma aliança política para governar, todos os partidos que a compõem podem reivindicar ministério, podem reivindicar cargo. E esses partidos, então, fazem parte do governo. É assim que era montado antes, durante, e é assim que é montado agora", disse o ex-presidente.

“Eu não sei agora de cabeça quais os partidos, mas eu sei que o PMDB indicou [pessoas para] cargos na Petrobras". Lula disse que o PP e o PT também fizeram indicações para a Petrobras. "E tem outros cargos indicados na Petrobras que nem passam pela Casa Civil, nem passam pelo Conselho”, afirmou.

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