Terça-feira, 23 de maio de 2017

Anderson Adauto

Ex-ministro dos transportes diz que não sabia da origem ilícita do dinheiro recebido

O ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto, é acusado pela PGR (Procuradoria Geral da República) de lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Ele admite ter recebido R$ 410 mil, mas diz também que acreditava que a verba tinha origem lícita, originado de um empréstimo do PT (Partido dos Trabalhadores) junto ao Banco Rural. O dinheiro recebido foi utilizado saldar dívidas de campanha.

Segundo a defesa de Adauto, supor que a origem do dinheiro era o próprio PT descaracteriza o crime de lavagem de dinheiro. “É inegável que para que haja o crime é necessário ficar provado que o acusado, tinha ciência da prática dos crimes antecedentes, com a vontade dirigida de ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade dos recursos”, destaca a defesa feita por Roberto Garcia Lopes Pagliuso.

Conforme o advogado do ex-ministro, o conhecimento da origem dos R$ 950 mil recebidos pelo ex-ministro não ficou demonstrado nos autos. “Pressuporá que por ele ter recebido o valor que ele sabia de sua origem”. A prova desse desconhecimento, segundo Pagliuso, seria o fato de Adauto ter indicado seu coordenador de campanha, José Luiz Alves e seu irmão, Edson Pereira, para receberem os valores, o que seria incompatível com a intenção de ocultar a movimentação ou propriedade do dinheiro.

A defesa alega que Adauto recebeu o dinheiro através do coordenador de campanha para para pagar despesas da campanha de 2002, quando concorreu ao cargo de deputado federal. Afirma que o PGR se baseia em “uma folha de papel elaborada e juntada por Marcos Valério, sem qualquer assinatura ou data, citando o nome de José Luiz Alves como beneficiário do valor já mencionado, de um saque em dinheiro realizado por Simone Vasconcelos no valor de R$ 650 mil e transportado por carro forte”, o que seria insuficiente para fins de condenação.

Segundo Pagliuso, a acusação de corrupção ativa está vinculada ao relacionamento de Adauto com o ex-deputado do PTB, Romeu Queiroz, que também estava com dificuldades em quitar seus gastos com as eleições de 2002. “Adauto sugeriu a Queiroz que procurasse o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para solucionar o problema”, diz a defesa.

Já a denúncia do MPF fundamenta a acusação de corrupção ativa praticada por Adauto a partir do momento em que Roberto Jefferson assumiu a presidência do PTB. Jefferson procurou reiniciar o sistema de financiamento adotado pelo seu antecessor, José Carlos Martinez, morto em 2003.

Coube a Romeu Queiroz, então Deputado Federal, implementar os contatos necessários para viabilizar a retomada dos pagamentos, o que foi feito com a intermediação de Adauto.

Embora negue a prática de atos ilícitos, Romeu Queiroz admitiu o recebimento do dinheiro e descreveu a dinâmica dos fatos, “Em dezembro de 2003, fui contatado pelo então presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson, na condição de segundo secretário do partido para que angariasse recursos para a agremiação política.”

Segundo o Ministério Público, com o pedido de Jefferson, Queiroz procurou o então Ministro dos Transportes em seu gabinete, solicitando os recursos. “Cerca de dois ou três dias após esta reunião, o ex-ministro entrou em contato com o declarante esclarecendo que tinha mantido entendimentos com o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e que este por sua vez se colocou a disposição recursos do PT através da empresa SMP&E, que seriam liberados em janeiro de 2004, no valor de R$ 300 mil.”

Pagliuso destaca que o Adauto mantém relacionamento pessoal com o Romeu Queiroz, e que esta seria a única razão do contato entre eles. “A acusação não demonstrou qualquer oferecimento ou promessa de vantagem feita por Adauto, nem sua expectativa da prática de qualquer ato de ofício pelo réu Romeu Queiroz” .

 Quanto à acusação de ter introduzido o esquema de financiamento ilegal de Delúbio Soares para Roberto Jefferson, Adauto nega participação, afirmando que o PTB era um partido próximo ao governo, portanto não precisava de seu contato para ser apresentado ao suposto sistema de financiamento praticado pelo PT.