Terça-feira, 23 de maio de 2017

Geiza Dias dos Santos

“Batedeira de cheques” foi absolvida pelo Supremo

Por Fabiana Barreto Nunes

Ex- auxiliar de Marcos Valério era mera “batedeira de cheques”, diz defesa

 Apesar do Ministério Público afirmar que Geiza Dias ajudava a distribuir recursos do valerioduto para deputados, o STF (Supremo Tribunal Federal) acabou absolvendo a ex-funcionária da agência SM&B.

Na sua defesa, repetindo o que já havia dito Marcos Valério em depoimento, o advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva afirmou que Geiza Dias era apenas uma “batedeira de cheques.” A defesa da ex-auxiliar administrativa da agência de publicidade SMP&B argumenta que ela cumpria suas funções de “operacionalizar saques, preencher cheques e fazer reservas bancárias para saques em espécie”, embora estas atividades não fossem de sua responsabilidade exclusiva.

Leia a sustentação oral da defesa: “Advogado de Geiza Dias diz que ela era funcionária de quarto escalão”

Para o MPF (Ministério Público Federal), Geiza teria cometido os crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. Ela é acusada de efetivar saques e pagamentos de quantias em benefícios de membros de partidos políticos que faziam parte da base de apoio ao governo no Congresso e de ter auxiliado operações que culminaram em depósitos em conta bancária no exterior, cujos titulares eram Duda Mendonça e Zilmar Fernandes.

A defesa procura dissociar Geiza dos crimes do suposto esquema do mensalão, que teve como principal articulador, conforme a denúncia do MPF, o dono da SMP&B, Marcos Valério.

Nas alegações finais, Abreu e Silva destaca o interrogatório de Valério, no qual o publicitário disse que tinha pouco contato com Geiza. O advogado sintetiza o depoimento do publicitário, explicando a atuação de Geiza na agência: “Simone Vasconcelos era quem fazia as previsões de saques. Após ser informado por Delúbio do nome da pessoa que iria receber os valores no Banco Rural, repassava a informação a Simone que, por sua vez, a encaminhava para Geiza que, finalmente, solicitava a provisão de recursos no Banco Rural, inclusive por e-mail”, declarou Valério.

Segundo a defesa, entre as funções que eram de responsabilidade de Geiza estavam “ contas a pagar, contas a receber, faturamento da empresa e a responsabilidade de elaborar relatórios financeiros, informar a diretoria sobre o posicionamento do caixa da sociedade, elaborar o orçamento anual e fazer o acompanhamento mensal do mesmo.”

A defesa de Geiza pede sua absolvição porque ela não mantinha qualquer relação com os dirigentes do PT ou de outro partido e, por isso, não sabia dos acordos, denunciados pelo MPF, entre o Partido dos Trabalhadores e a empresa que ela trabalhava.

“A suplicante somente tomou conhecimento da possível ilicitude dos atos praticados após serem eles divulgados pela imprensa, quando, de imediato, passou a colaborar com as autoridades, esclarecendo o que se passou em seu setor de trabalho, como os cheques foram preenchidos, como foram dadas ordens de saques junto às agências bancárias, como eram feitas as reservas para saques em espécie e como os comprovantes de saques eram remetidos para a contabilidade da SMP&B Comunicação”, diz Silva.