Terça-feira, 23 de maio de 2017

Henrique Pizzolato

Ex-diretor do BB é condenado a 12 anos por desvios no Banco do Brasil
Por Felipe Amorim

 

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 12 anos e 7 meses de prisão, além do pagamento de multa que ultrapassa R$ 1,3 milhão de reais. Sua condenação foi quase unânime em todos os crimes dos quais foi acusado: peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

De acordo com a tese do MPF (Ministério Público Federal), Pizzolato teria desviado ao menos R$ 2,9 milhões de recursos do Banco do Brasil. O Tribunal concordou que o ex-executivo permitiu que a DNA Propaganda, empresa de Marcos Valério, ficasse indevidamente com o dinheiro do chamado “bônus de volume” — valor privado e negociado diretamente entre os veículos de mídia e as agências de publicidade.

Embora a defesa de Pizzolato tivesse procurado demonstrar que essa remuneração — tradicional e recorrente no meio publicitário — era uma bonificação à agência em função do volume de anúncios em um determinado veículo, o plenário considerou que o dinheiro deveria ser devolvido para o banco. Por tratar-se o BB de um empresa estatal, estaria aí configurado o desvio de dinheiro público: Pizzolato teve os 11 votos do plenário pedindo sua condenação por peculato.

O segundo núcleo do esquema no qual Pizzolato é acusado diz respeito ao Fundo Visanet. De acordo com o MPF, o diretor teria recebido cerca de R$ 320 mil como pagamento pelos benefícios prestados às empresas de Valério. Segundo o procurador-geral da República, Pizzolato teria sido corrompido pelo dinheiro para beneficiar a DNA Propaganda no contrato de publicidade com o Fundo Visanet.

A defesa, por sua vez, alega que o fundo é privado, formado por mais de dez acionistas: todos bancos cujo objetivo é promover ações de marketing que incentivem o uso do cartão de crédito Visa. De acordo com o advogado Marthius Sávio Cavalcante Lobato, seu cliente não tinha poderes para sair autorizando benefícios às empresas do “valerioduto”. Pizzolato sequer era diretor do banco, quando as agências venceram as licitações e ganharam o direito de contratar com o Banco do Brasil.

Em uma aprofundada reportagem, os jornalistas Raimundo Rodrigues Pereira e Lia Imanishi procuraram demonstrar que são muito frágeis os indícios de desvio de dinheiro no Banco do Brasil — cujo personagem central, Henrique Pizzolato, foi um dos poucos condenados por unanimidade no julgamento do mensalão.