Quarta-feira, 26 de abril de 2017

Professor Luizinho

Defesa de ex-deputado afirma que ele não sabia que assessor sacou dinheiro em Agência do Banco Rural 

O ex-deputado federal pelo PT, Luiz Carlos da Silva (Professor Luizinho), é acusado de ter recebido R$ 20 mil do esquema supostamente montado pelo publicitário Marcos Valério, utilizando como intermediário um assessor, José Nilson dos Santos, que sacou o dinheiro em uma agência do Banco Rural. A defesa do ex-parlamentar afirma que o Professor Luizinho não sabia que Santos havia realizado o saque e que o dinheiro foi utilizado para pagar despesas de campanha.

Para a PGR (Procuradoria Geral da República), “seguindo a mesma lógica dos demais parlamentares que se valeram de intermediários para o recebimento da vantagem indevida, o Professor Luizinho conseguiu que [o ex-tesoureiro do PT] Delúbio Soares autorizasse a entrega de R$ 20 mil”. O ex-deputado teria utilizado Santos para receber o dinheiro para evitar que seu nome fosse associado ao esquema.

Em março de 2006, a Câmara dos Deputados absolveu o Professor Luizinho em processo que pedia sua cassação por quebra de decoro parlamentar. Antes da votação do processo que poderia levar à perda de mandato, o então deputado federal pelo PT disse que “em nenhum momento eu menti para essa Casa. Quando foi colocado em dúvida se a pessoa sacadora tinha de fato sido meu assessor, pedi que investigassem”. Afirmou também que nunca pediu ou autorizou seu ex-assessor, a fazer saques de dinheiro utilizando o esquema de Valério.

A defesa do Professor Luizinho no STF (Supremo Tribunal Federal) reafirma que o ex-deputado não recebeu os R$ 20 mil e que Santos tratou diretamente com Delúbio “para o pagamento de despesas de designer gráfico em campanhas pré-eleitorais de candidatos a vereador do Partido dos Trabalhadores”, e que “não há qualquer ilicitude na conduta de buscar ajuda financeira junto ao partido político com a finalidade de fomentar campanhas eleitorais, tanto é assim que o Sr. José Nilson dos Santos não figura entre os denunciados na presente ação penal.”

Também afirma que, embora Marcos Valério tenha afirmado que os recursos foram pagos ao Professor Luizinho, a mando de Delúbio, e tenha ocorrido contatos entre o ex-deputado e o publicitário, não há provas de que houve prática do delito de lavagem de dinheiro, tanto que Santos assinou o recibo quando fez o saque e não escondeu que o dinheiro foi utilizado para pagar despesas de campanha.

“É certo que não houve utilização de nenhum mecanismo fraudulento visando mascarar a origem, natureza e destinatários das quantias, vez que”, diz a defesa negando a prática de lavagem de dinheiro.