Fenalaw 2013 -

domingo, 25 de junho de 2017

Advogado de departamentos é um gestor com conhecimento em Direito, diz diretor jurídico

16 de outubro de 2013

Por Luiza Giovancarli

Remuneração e retenção de talentos foram os temas abordados por Luciano Dequech, diretor jurídico na Odebrecht, no segundo dia da Fenalaw. Para ele, o departamento jurídico assume hoje mais responsabilidade porque o Direito está se tornando mais complexo. O gestor jurídico de uma empresa trabalha de uma forma diferente de um advogado externo, já que este tem uma linguagem própria e complexa e aquele precisa estar em diálogo com a própria empresa, o que pressupõe uma linguagem mais simplificada. O advogado de um departamento empresarial não pode ter apenas qualificação técnico-jurídica.

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Uma das formas de garantir um bom funcionamento da área jurídica e a retenção dos profissionais é assim que ele começa a atuar na empresa, ser conduzido por um bom gestor, que seja como um líder educador, ou seja, que apresente a realidade da empresa para este profissional. Isso porque os temas que este advogado irá lidar não são estritamente jurídicos.

Para o especialista, existem alguns motivos pelos quais os advogados buscam atuar em um departamento jurídico de uma empresa. “No escritório às vezes você faz apenas uma coisa e a tendência é cada vez mais você ser especialista. A concorrência é enorme, existem muitos advogados formando sociedades e competindo espaço para prestar serviços especializados. As vezes o advogado quer outra coisa pra ele e esse é um dos motivos por que se escolhe atuar em uma empresa”, afirma. Outro motivo é a possibilidade de trabalhar e conciliar melhor o tempo, sem a necessidade de preencher fichas de tempo, como funciona em muitos escritórios.

O trabalho em uma empresa, porém, exige alguns cuidados. O advogado não precisa necessariamente pedir autorização para alguém, para que as coisas aconteçam, mas sim, ele próprio deve ter proatividade e fazer as coisas acontecerem, já que ele próprio deve construir sua carreira. Além disso, muitos advogados se sentem ilhados no departamento jurídico. “A empresa te olha como um advogado qualquer. É aí que entra o papel do gestor jurídico para avaliar com base nas especificidades da profissão. É importante formar um time jurídico para tirar o departamento da ilha”, sugere Dequech.

E para reter profissionais, existe um caminho? Para o especialista, uma remuneração adequada, que pode ser fixa (mensal) com posição de lucros e resultados (variável) e benefícios, não garante que o profissional se sinta motivado na empresa. Os ganhos para o funcionário não devem ser apenas materiais, mas também, é necessário um reconhecimento do trabalho e oportunidades de desenvolvimento dentro da companhia. Dequech acredita que reter profissionais não deve ser o objetivo, mas sim, fazer com que este funcionário se sinta motivado na empresa. “É normal as pessoas saírem, mudar de time. Isso oxigena a empresa. As pessoas passam pela equipe, vão para outra, às vezes voltam. Isso é bom”, acredita.

 

Para saber mais sobre a 10ª Fenalaw, acesse a programação.

Fenalaw 2013

Centro de Convenções Frei Caneca
São Paulo-SP
15, 16 e 17 de outubro de 2013
Para mais detalhes, acesse o site da Fenalaw.

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