Ex-cunhada de Eliana Tranchesi afirma que havia subfaturamento na Daslu

Rosanne D'Agostino - 17/03/2006 - 19h43

Mariangela Tranchesi, ex-cunhada da dona da butique Daslu, afirmou, nesta sexta-feira (16/3), à Justiça Federal de Guarulhos, na Grande São Paulo, a existência de diferenças de preços relevantes em notas fiscais de produtos na Daslu. Por determinação da juíza Maria Isabel do Prado, o irmão de Eliana Tranchesi, Antônio Carlos Piva de Albuquerque, esteve presente nas oitivas das testemunhas de acusação.

Segundo a assessoria da Justiça Federal, a ex-mulher de Antonio Carlos Piva de Albuquerque, irmão de Eliana, afirmou que as notas fiscais da butique apresentavam valores muito mais elevados em relação às apresentadas pelas importadoras. Ela foi responsável pelo processo de informatização da loja de 1999 a 2000.

Também prestou depoimento nesta sexta, o ex-gerente administrativo e financeiro da Daslu, em que afirmou ter ouvido comentários sobre a ocorrência de subfaturamento na importação. Segundo ele, havia fiscalização na empresa, mas nada acontecia devido a influência de Antônio Carlos Piva.

O ex-gerente informou à juíza que ouviu comentários de que havia uma pessoa dentro da empresa que agia a mando de Antônio Carlos Piva, e que recebia recursos financeiros para a empresa não ser investigada. A testemunha trabalhou na Daslu entre 2000 e 2004.

Ontem, o proprietário da Magnum Comercial Ltda, empresa inativa desde 2004, afirmou que não mantinha nenhum relacionamento comercial direto com a Daslu, mas que fez uma única importação para esta empresa, no valor de US$ 300 mil, referente a lote de importação composto por artigos de vestuário e acessórios em geral.

O empresário contou que o procedimento para a importação do lote durou cerca de três meses, com orçamento aprovado por Celso de Lima, de outra importadora envolvida, a Multimport, que autorizou o desembarque. Chegada a mercadoria, a Multimport depositou as despesas na conta da Magnum.

Segundo o importador, após a liberação, a instrução do faturamento foi passada em nome da Daslu, e a mercadoria foi entregue no depósito da loja. Ele não soube dizer se quem depositou o valor foi a Multimport ou a Daslu. Segundo o empresário, o valor declarado para o desembaraço dos produtos constava nas faturas emitidas pelos exportadores.

A assessoria da Justiça Federal informou também que a testemunha restante da acusação, que ainda não havia sido encontrada, já se apresentou e deverá prestar depoimento no próximo dia 24 de março, às 13h.

Eliana Tranchesi, o irmão, diretor financeiro da Daslu, Antônio Carlos Piva de Albuquerque e outros seis acusados responsáveis pelas importadoras foram denunciados pelo Ministério Público no dia 8 de dezembro, pelo subfaturamento de produtos importados que eram vendidos na loja, com o objetivo de pagar menos impostos. A denúncia foi recebida pela juíza da 2ª Vara da Justiça Federal no dia 13 de dezembro e instaurou o processo criminal contra os acusados.

Entenda o caso
A dona da Daslu e o irmão sofrem três acusações por descaminho (produto lícito que é transportado de forma irregular) consumado, três por descaminho tentado (quando o crime não é consumado), nove de falsidade ideológica (devido aos documentos da Daslu em nome de importadoras) e uma por formação de quadrilha. As penas mínimas somam 21 anos.

Os demais acusados, os importadores, também prestaram depoimentos junto à Justiça Federal de Guarulhos. Os representantes alegaram que a culpa pelo subfaturamento das mercadorias é de Eliane Tranchesi. A eles foram imputados crimes de acordo com a participação de cada um, segundo as investigações realizadas pela Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal. As penas somadas vão de 2 a 14 anos.


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