MP consegue repatriar R$ 2,33 milhões que teriam sido desviados por Celso Pitta
João Novaes - 26/05/2006 - 16h42
Em nota, a assessoria de imprensa de Pitta informou, que o ex-prefeito "desconhece este assunto, pois não teve acesso à documentação citada" e que ele "entende que pode ser ação de adversários que querem prejudicá-lo politicamente ou uma manobra para desviar a atenção da opinião pública dos recentes escândalos".
O dinheiro será depositado na conta judicial 26-068.268-8, do Banco Nossa Caixa, mas, para retornar aos cofres públicos, é necessário um pedido do atual secretário de Negócios Jurídicos do município de São Paulo à juíza da 14ª Vara da Fazenda Pública, Simone Casarotti, que, em janeiro deste ano, concedeu liminar para o bloqueio e a repatriação dos bens. O ex-prefeito Celso Pitta poderá tentar impetrar um recurso contra a restituição do dinheiro à prefeitura paulistana.
Os R$ 2,3 milhões, segundo o MP-SP, por contas em Nova York (Commercial Bank), na Suíça (Multcomercial Bank, em Zurique), na Ilha de Guernsey (Bank of Butterfield), em Liechtenstein (Neue Bank) e nas Ilhas Caymann (Multi Banking). De acordo com o MP, ao final, com a autorização da própria Nicéa Camargo, o dinheiro foi transferido para uma conta em Nova York (Banco NYC), de onde veio para o Brasil.
Segundo os promotores da Cidadania, Sílvio Marques e Sérgio Turra Sobrane, o dinheiro teria sido desviado da construção da avenida Água Espraiada, obra iniciada em 1993, na gestão do ex-prefeito Paulo Maluf, padrinho político de Pitta, e concluída em 2000, já sob a administração Pitta.
Os promotores afirmaram que houve um superfaturamento da ordem de 30% na construção da avenida, que teve um custo final de R$ 796 milhões. Logo, de acordo com o MP, um valor próximo a R$ 200 milhões teria sido desviado no suposto esquema de superfaturamento.
De acordo com os promotores, todas as contas pelas quais os R$ 2,3 milhões passaram, entre São Paulo e a Ilha de Guernsey, tinha como titulares Pitta e Nicéa. As contas em Liechtenstein e nas Ilhas Caymann ficavam apenas no nome de Nicéa, o que proporcionou ao MP-SP obter a autorização dela para o retorno do dinheiro ao país.

















