TJ restringe captação de imagem e som ao início e ao fim do júri de Suzane
Rosanne D'Agostino - Edson Monteiro - 01/06/2006 - 15h50
Canguçu de Almeida tomou a decisão na tarde desta quinta-feira (1°/6), em uma representação levada a ele pelo desembargador Damião Cogan, da 5ª Câmara Criminal do TJ. A decisão, administrativa, deve orientar a apreciação do habeas corpus impetrado pela defesa de Suzane junto ao TJ, com o intuito de vetar totalmente a transmissão. A concessão ou não da liminar caberá ao próprio desembargador Damião Cogan.
"A solução que se confere à representação formulada apresenta-se como apta a atender, o quanto possível o anseio de publicidade transparência e divulgação do acontecimento, até porque não fica vedada a presença de jornalistas no recinto, como atende, igualmente, aquele que recomenda a preservação do recato, da discrição e da seriedade dos atos do Poder Judiciário", escreveu o vice-presidente do TJ ao decidir sobre o acesso da imprensa.
Habeas corpus
O advogado de Suzane von Richthofen, Mário Sérgio de Oliveira, entrou com um habeas corpus, nesta quinta-feira (1º/6), para que não seja permitida a captação de imagem (TV e foto) e de som, durante o julgamento, marcado para as 13h de segunda-feira.
Mário Sérgio afirma que o pedido partiu da própria Suzane e da família dela. "Isso pode inibir os jurados. O julgamento não é um show", disse o advogado, destacando que em qualquer outro julgamento seria proibida a captação de imagens de qualquer gênero. Para ele, não devem ser permitidas imagens até que o juiz divulgue sentença.
Segundo ele, a transmissão, ou mesmo a veiculação posterior das imagens e sons, poderia prejudicar a escolha dos jurados, ou ainda, estes poderiam sofrer represália por parte da população caso a julguem inocente. "Nossa tese é de absolvição, por isso, queremos preservar o júri. E o veredicto é sigiloso, assim como o julgamento", completa.
Imprensa
Representantes de quase todos os veículos de imprensa de São Paulo estiveram reunidos, na tarde desta quinta-feira (1º/6), com a assessoria de imprensa do TJ-SP para definir as regras sobre a veiculação. Foram inscritos 49 veículos. Em princípio, apenas os 30 primeiros terão acesso à sala onde ocorrerá o julgamento.
Negociou-se se haveria um rodízio ou se os demais veículos poderão apenas acompanhar o júri por meio de um telão a ser instalado em uma ante-sala destinada à imprensa. A decisão ficou para minutos antes do júri. Ao menos 14 emissoras de TV e sites diretamente vinculados a portais, como o UOL News estão credenciados para gravar imagens do julgamento. Última Instância ocupa o primeiro lugar na lista de inscritos para acompanhar o júri.
Plenário
O plenário do Tribunal do Júri possui 240 assentos, que serão divididos da seguinte maneira: 10 senhas para a defesa de Suzane Richthofen e sua família, 10 senhas para a defesa dos irmãos Cravinhos e sua família, 80 senhas sorteadas entre a população (a relação será divulgada ainda hoje por Última Instância), 30 senhas para a imprensa, e 110 para convidados do meio jurídico, como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), dentre outros.
O início do julgamento está previsto para as 13h da segunda-feira (5/6), e deve ser interrompido por volta das 21h, para ser retomado, no dia seguinte, por volta das 9h. O juiz Alberto Anderson não divulgou quanto tempo irá durar o júri, que ainda poderá ser desmembrado. Assim, somente os irmãos Cravinhos seriam julgados.
Leia mais sobre o caso Richthofen:
Veja lista dos 80 sorteados pelo TJ-SP para assistir ao júri do caso Richthofen
Advogado vai ao TJ-SP para tentar vetar imagens em júri de Suzane
Irmãos Cravinhos devem ficar presos até o julgamento
Com decisão do STJ, Suzane Richthofen deve deixar prisão nesta segunda
















