Suzane von Richthofen e irmãos Cravinhos começam a ser julgados hoje
Rosanne D'Agostino - 17/07/2006 - 00h00
Suzane já deixou o Centro de Ressocialização de Rio Claro, onde estava presa, e deve chegar ao fórum por volta das 10 horas. Os irmãos Cravinhos ainda permanecem no CDP de Pinheiros.
Os três dividem o banco dos réus pela segunda vez. A primeira tentativa de júri, no dia 5 de junho, foi adiada após o que foi chamado de “manobra” dos advogados de defesa, em razão da ausência de uma testemunha. Enquanto os advogados da moça abandonaram o plenário, revoltados com a negativa do juiz Alberto Anderson Filho de adiar completamente a sessão, os defensores dos irmãos Cravinhos sequer compareceram ao tribunal, alegando cerceamento de defesa.
Desta vez, os advogados prometem que, se não houver irregularidade, o júri acontecerá. Contudo, não descartam a hipótese de adiamento. Para Mauro Otávio Nacif, advogado de Suzane, o júri é nulo e deveria ser separado. Ele alega que, com a junção, perderá meia hora reservada à defesa da cliente. O pedido foi negado pelo ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), na sexta (14/7), mas Nacif promete apresentar novo pedido ao juiz logo no começo da sessão de hoje.
A promotoria espera uma pena mínima de 50 anos para cada um dos três. Suzane e os irmãos estão presos e respondem por duplo homicídio triplamente qualificado (meio cruel, motivo torpe e impossibilidade de defesa) e por fraude processual, pela intenção de simular latrocínio. Caso a pena ultrapasse 20 anos, automaticamente será realizado novo julgamento.
A transmissão dos trabalhos foi proibida. Os 240 lugares disponíveis no plenário do Tribunal do Júri serão dividido entre 80 pessoas sorteadas, 110 para convidados do meio jurídico, como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), e 30 jornalistas (alguns poderão permanecer em pé). Além disso, dez senhas foram conferidas à defesa de Suzane e sua família, e mais dez senhas à dos irmãos Cravinhos e família.
Veja o que pode acontecer no júri
Os réus devem chegar momentos antes do início da sessão. Como os três estão presos, devem comparecer ao local com roupas de presidiário, mas não necessariamente algemados. As algemas só são utilizadas quando existe risco na liberdade dos acusados.
Por volta das 13h, deverá ser instalada a sessão pelo juiz Alberto Anderson Filho, que dará a palavra aos advogados, caso queiram apontar qualquer nulidade para que o júri não seja realizado. Se não forem aceitas, o julgamento prossegue. O juiz lerá os nomes dos 21 jurados à disposição. A defesa e a acusação podem rejeitar até sete nomes cada, até que restem sete. Nesse momento, se houver divergência entre as defesas, o julgamento pode ser desmembrado, e, possivelmente Suzane, por não ter cometido diretamente o crime, seria julgada no dia 18 de setembro.
A seguir, começa a fase de produção de provas. O juiz pedirá que os réus se identifiquem, respondendo a perguntas como: nome, filiação, naturalidade, data de nascimento, estado civil e se possuem antecedentes criminais. O juiz também vai advertir que a falta de resposta às perguntas feitas ou a falsidade podem incorrer em responsabilidade penal. Se aceitaram prestar declarações, os réus poderão discorrer sobre o crime sem interrupções. No máximo, poderão ser orientados pelos advogados a não responderam a algum questionamento do juiz.
A próxima etapa é a leitura dos autos do processo. Segundo Nacif, a defesa comprometeu-se com o juiz Alberto Anderson a não ultrapassar um máximo de quatro horas, para não cansar os jurados, restringindo-se às peças importantes ao caso. O advogado pretende usar a maior parte do tempo para realizar uma “grande entrevista com Suzane”. Os réus podem se manifestar a qualquer momento durante o júri.
Passada essa fase, iniciam-se os depoimentos das testemunhas arroladas. As da acusação são ouvidas primeiro. Dentre elas, estão o tio Miguel Abdalla Neto, Alexandre Paulino Boto, a perita criminal Jane Marisa Millioni Pacheco Belucci, a delegada de polícia Cíntia Tucunduva Gomes e Andreas von Richthofen, o irmão de Suzane.
As arroladas pela defesa de Suzane são Christian Schmidt Drech, Fernanda Soel Kitahara (amiga da mãe, Marísia), Cláudia Sorge, Maria Aldenora Mesquita Fraga e a funcionária da penitenciária onde Suzane ficou, Marisol Nunes Ortega.
Para defender Daniel, foram apresentados os nomes de Sílvio Tadeu Vieira, Sérgio Gargiulo, Alexandre Basílio Torres, Tiago Samora, Fabiana Godoy e o pai dos irmãos, Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva Filho. Para Cristian, os advogados também devem levar o irmão de Suzane, Andreas, além de Fábio de Oliveira, Hélio Salvador Bulcão Artesi e Ivone Muss Wagner, Edson Luiz Gaona e Nadja Cravinhos de Paula e Silva.
A última fase é a dos debates, quando a acusação terá duas horas, e a defesa, outras duas, com direito a réplica e tréplica, de uma hora cada, para apresentarem seus argumentos ao juiz e aos jurados. Tudo o que for dito no tribunal será documentado em ata. Depois disso, os jurados se reúnem na câmara secreta, e o resultado deve ser conhecido uma hora depois.
Os sete jurados devem responder a um questionário, preparado pelo juiz com base nos autos e no que foi dito em tribunal, a fim de decidir entre temas como: se os réus, apesar de confessos, realmente cometeram o crime, se há agravantes (motivo torpe, meio cruel e emprego de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas) e atenuantes, como serem réus primários e terem domicílio fixo. Com o resultado da votação, o juiz escreve a sentença e a lê para todos os presentes. É o fim do julgamento.


















