Saiba o que pode acontecer no júri popular de Suzane e Cravinhos

Rosanne D'Agostino - 17/07/2006 - 10h17

Os réus —Suzane e Daniel e Cristian Cravinhos— devem passar todo o julgamento vestidos com uniforme de presidiário (calça bege e camiseta branca), já que os três estão presos. Não necessariamente ficarão algemados, pois as algemas só são utilizadas quando existe risco na liberdade dos acusados.

Por volta das 13h, a sessão deverá ser instalada pelo juiz Alberto Anderson Filho, que dará a palavra aos advogados, caso queiram apontar qualquer nulidade para que o júri não seja realizado. Se não forem aceitas, o julgamento prossegue. O juiz lerá os nomes dos 21 jurados à disposição. A defesa e a acusação podem rejeitar até sete nomes cada, até que restem sete. Nesse momento, se houver divergência entre as defesas, o julgamento pode ser desmembrado, e, possivelmente Suzane, por não ter cometido diretamente o crime, seria julgada no dia 18 de setembro.

A seguir, começa a fase de produção de provas. O juiz pedirá que os réus se identifiquem, respondendo a perguntas como: nome, filiação, naturalidade, data de nascimento, estado civil e se possuem antecedentes criminais. O juiz também vai advertir que a falta de resposta às perguntas feitas ou a falsidade podem incorrer em responsabilidade penal. Se aceitaram prestar declarações, os réus poderão discorrer sobre o crime sem interrupções. No máximo, poderão ser orientados pelos advogados a não responderam a algum questionamento do juiz.

A próxima etapa é a leitura dos autos do processo. Segundo Mauro Otávio Nacif, um dos advogados de Suzane, a defesa comprometeu-se com o juiz Alberto Anderson a não ultrapassar um máximo de quatro horas, para não cansar os jurados, restringindo-se às peças importantes ao caso. O advogado pretende usar a maior parte do tempo para realizar uma “grande entrevista com Suzane”. Os réus podem se manifestar a qualquer momento durante o júri.

Passada essa fase, iniciam-se os depoimentos das testemunhas arroladas. As da acusação são ouvidas primeiro. Dentre elas, estão o tio Miguel Abdalla Neto, Alexandre Paulino Boto, a perita criminal Jane Marisa Millioni Pacheco Belucci, a delegada de polícia Cíntia Tucunduva Gomes e Andreas von Richthofen, o irmão de Suzane.

As arroladas pela defesa de Suzane são Christian Schmidt Drech, Fernanda Soel Kitahara (amiga da mãe, Marísia), Cláudia Sorge, Maria Aldenora Mesquita Fraga e a funcionária da penitenciária onde Suzane ficou, Marisol Nunes Ortega.

Para defender Daniel, foram apresentados os nomes de Sílvio Tadeu Vieira, Sérgio Gargiulo, Alexandre Basílio Torres, Tiago Samora, Fabiana Godoy e o pai dos irmãos, Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva Filho. Para Cristian, os advogados também devem levar o irmão de Suzane, Andreas, além de Fábio de Oliveira, Hélio Salvador Bulcão Artesi e Ivone Muss Wagner, Edson Luiz Gaona e Nadja Cravinhos de Paula e Silva.

A última fase é a dos debates, quando a acusação terá duas horas, e a defesa, outras duas, com direito a réplica e tréplica, de uma hora cada, para apresentarem seus argumentos ao juiz e aos jurados. Tudo o que for dito no tribunal será documentado em ata. Depois disso, os jurados se reúnem na câmara secreta, e o resultado deve ser conhecido uma hora depois.

Os sete jurados devem responder a um questionário, preparado pelo juiz com base nos autos e no que foi dito em tribunal, a fim de decidir entre temas como: se os réus, apesar de confessos, realmente cometeram o crime, se há agravantes (motivo torpe, meio cruel e emprego de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas) e atenuantes, como serem réus primários e terem domicílio fixo. Com o resultado da votação, o juiz escreve a sentença e a lê para todos os presentes. É o fim do julgamento.

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