Suzane vai dizer que fugiu de casa para ficar com Daniel, mas ele não quis
Rosanne D'Agostino - 17/07/2006 - 12h47
“Ela fugiu, foi para a casa do Daniel, do Astrogildo. Mas o pai do namorado mandou que ela voltasse porque era menor de idade e, como menor, não poderia ficar lá”, afirma o advogado. “Quem não quis fugir foi o Daniel, aconselhado pelo pai, porque ela não ia ter dinheiro da família. Ela não ia receber mais”, acusa.
“Se não estivesse atrás da herança, porque ele mandou ela voltar pra casa, porque ele não fugiu com ela quando ela quis?”, completa o também defensor, Mário Sérgio de Oliveira. “Ela saiu de casa, ela foi embora pra casa dele e disse: vou morar com vocês.”
Nacif afirma que Suzane irá contar toda sua história durante o julgamento, ao contrário do que ocorreu com o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, que se calou diante do juiz, jurados e promotores. “O réu tem que responder para o juiz e para os jurados também. Suzane vai responder, mas para o promotor e para o assistente, não. Porque eles são capciosos, eles querem fazer pegadinha. Isso não”, afirmou.
Ainda de acordo com o advogado, Suzane apenas falou sobre o caso no início quando interrogada pela polícia e pelo juiz, quando ainda era apaixonada por Daniel. “Ela contou uma série de coisas, e não contou toda a história dela. Agora ela vai contar como foi coagida pelo Daniel a participar de tudo, nos mínimos detalhes. Tudo que ela fez foi por coação, ela obedecia”, defende.
Em relação ao pai dos Cravinhos, Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva Filho, Nacif afirma que ela nunca o acusou, ao contrário do que chegou a ser noticiado. “Ela disse estar desconfiada, decepcionada com a conduta dele [de Astrogildo], porque logo depois do crime ele a procurou para assinar alguns papéis para que Suzane se emancipasse e tomasse conta dos bens”. Segundo o advogado, “caiu a ficha”, e hoje ela teria entendido que essa seria uma “atitude esquisita”.
Segundo Nacif, a ficha teria caído ainda no final de 2002, durante interrogatório com o juiz Alberto Anderson Filho, quando ele mandou que os três réus descessem, porque uma testemunha não queria depor na presença deles. Suzane desceu e ficou em uma cela de frente para os irmãos. “Foi quando eles [os irmãos] pediram para que ela afirmasse ao juiz que ela e o irmão, Andreas, eram estuprados pelo pai”, conta o advogado.
Nacif afirma que Suzane nega totalmente que o abuso tenha acontecido e que, quando voltou ao presídio, contou a história a uma funcionária, Marisol. A funcionária, que conversava muito com Suzane e está arrolada como testemunha de defesa da jovem, teria advertido a estudante sobre o caráter dos Cravinhos: “Não disse para você?”. De acordo com o advogado, Marisol irá testemunhar e confirmar a história nesta segunda-feira.
O criminalista promete ainda que irá utilizar um raciocínio, um “argumento bomba”, “secreto”, como classifica, que irá fazer com que os jurados reflitam e a inocentem. “Suzane já sabe o que é e chorou quando contei a ela”, diz Nacif, que ainda não decidiu se irá revelar o segredo durante o período reservado às alegações da defesa, ou se durante a tréplica. “Ainda não sei, porque só existe tréplica quando a promotoria pede a réplica. E eles podem não pedir”, afirma.
Quando ao suposto homossexualismo da mãe de Suzane, veiculado em matéria de imprensa, Mário Sérgio de Oliveira afirma que a defesa nunca pensou em usar tal argumento. “A sexualidade dela não tinha nada a ver com o crime. Quem plantou isso foi a promotoria, numa entrevista que deu. Para nós não importa isso”, diz.
Suzane e os irmãos responderão por duplo homicídio dos pais da estudante, Manfred e Marísia, em outubro de 2002. A pena poderá ser aumentada por três qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e emprego de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Respondem ainda por fraude processual, pela intenção de simular latrocínio ao revirar a biblioteca da casa. A pena para um homicídio doloso vai de 12 a 30 anos.
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