Pai de Suzane batia na filha, diz Daniel Cravinhos

Rosanne D'Agostino - 17/07/2006 - 15h11

Primeiro a falar no julgamento mais esperado do ano, Daniel Cravinhos disse que Manfred von Richthofen batia na própria filha, Suzane. Daniel foi namorado de Suzane até pouco depois da morte de Manfred e Marísia von Richthofen, pais da estudante, em outubro de 2002. O crime teve a participação de Suzane e dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.

Daniel disse ter presenciado uma “desunião muito grande dos pais” de sua ex-namorada. De acordo com o réu, os pais dela começavam a beber muito cedo. “Vi isso [eles bebendo] num churrasco, logo de manhã. Suzane falava que tinha problema porque os pais bebiam muito”, afirmou Daniel. Segundo ele, a primeira relação sexual entre ele e Suzane aconteceu dois anos antes do crime, em 2000.

O júri popular acontece no Fórum da Barra Funda, depois de pouco mais de uma hora de atraso, e será presidido pelo juiz Alberto Anderson Filho. A previsão é que o julgamento dure cinco dias, encerrando-se na próxima sexta-feira (21/7). A primeira fase do julgamento foi a composição do júri, que não agradou à defesa de Suzane. O julgamento não terá cinco testemunhas arroladas inicialmente, que desistiram de comparecer, entre elas o pai dos Cravinhos, Astrogildo.

Pena
A promotoria espera uma pena mínima de 50 anos para cada um dos réus. Ao chegar para o julgamento, o promotor Nadir de Campos afirmou haver um acordo entre a acusação e a defesa dos Cravinhos, para garantir a realização do júri nesta segunda-feira. Os advogados dos Cravinhos, no entanto, disseram desconhecer o acerto.

Suzane e os irmãos estão presos e respondem por duplo homicídio triplamente qualificado (meio cruel, motivo torpe e impossibilidade de defesa) e por fraude processual, pela intenção de simular latrocínio. Caso a pena ultrapasse 20 anos, automaticamente será realizado novo julgamento.

Em entrevista exclusiva a Última Instância, Mauro Otávio Nacif, principal defensor da estudante, disse que trabalhará com duas teses controversas para tentar inocentar sua cliente: a da coação moral irresistível e a da não exigibilidade de conduta adversa. Ele também antecipou que, em seu depoimento, a estudante irá dizer que fugiu para casa de Daniel, seu namorado à época, mas que ele não quis ficar com ela. Nacif prometeu apresentar uma “bomba” nos oito minutos finais de sua defesa.

Adiamento
Os irmãos Cravinhos e Suzane dividem o banco dos réus pela segunda vez. A primeira tentativa de júri, no dia 5 de junho, foi adiada após o que foi chamado de “manobra” dos advogados de defesa, em razão da ausência de uma testemunha. Enquanto os advogados da moça abandonaram o plenário, revoltados com a negativa do juiz Alberto Anderson Filho de adiar completamente a sessão, os defensores dos irmãos Cravinhos sequer compareceram ao tribunal, alegando cerceamento de defesa.

Desta vez, os advogados prometem que, se não houver irregularidade, o júri acontecerá. Para Nacif, o júri é nulo e deveria ser separado. Ele alega que, com a junção, perderá meia hora reservada à defesa da cliente. O pedido foi negado pelo ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), na sexta (14/7), mas Nacif promete apresentar novo pedido ao juiz logo no começo da sessão de hoje.

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