Pai de Suzane batia na filha, diz Daniel Cravinhos
Rosanne D'Agostino - 17/07/2006 - 15h11
Daniel disse ter presenciado uma “desunião muito grande dos pais” de sua ex-namorada. De acordo com o réu, os pais dela começavam a beber muito cedo. “Vi isso [eles bebendo] num churrasco, logo de manhã. Suzane falava que tinha problema porque os pais bebiam muito”, afirmou Daniel. Segundo ele, a primeira relação sexual entre ele e Suzane aconteceu dois anos antes do crime, em 2000.
O júri popular acontece no Fórum da Barra Funda, depois de pouco mais de uma hora de atraso, e será presidido pelo juiz Alberto Anderson Filho. A previsão é que o julgamento dure cinco dias, encerrando-se na próxima sexta-feira (21/7). A primeira fase do julgamento foi a composição do júri, que não agradou à defesa de Suzane. O julgamento não terá cinco testemunhas arroladas inicialmente, que desistiram de comparecer, entre elas o pai dos Cravinhos, Astrogildo.
Pena
A promotoria espera uma pena mínima de 50 anos para cada um dos réus. Ao chegar para o julgamento, o promotor Nadir de Campos afirmou haver um acordo entre a acusação e a defesa dos Cravinhos, para garantir a realização do júri nesta segunda-feira. Os advogados dos Cravinhos, no entanto, disseram desconhecer o acerto.
Suzane e os irmãos estão presos e respondem por duplo homicídio triplamente qualificado (meio cruel, motivo torpe e impossibilidade de defesa) e por fraude processual, pela intenção de simular latrocínio. Caso a pena ultrapasse 20 anos, automaticamente será realizado novo julgamento.
Em entrevista exclusiva a Última Instância, Mauro Otávio Nacif, principal defensor da estudante, disse que trabalhará com duas teses controversas para tentar inocentar sua cliente: a da coação moral irresistível e a da não exigibilidade de conduta adversa. Ele também antecipou que, em seu depoimento, a estudante irá dizer que fugiu para casa de Daniel, seu namorado à época, mas que ele não quis ficar com ela. Nacif prometeu apresentar uma “bomba” nos oito minutos finais de sua defesa.
Adiamento
Os irmãos Cravinhos e Suzane dividem o banco dos réus pela segunda vez. A primeira tentativa de júri, no dia 5 de junho, foi adiada após o que foi chamado de “manobra” dos advogados de defesa, em razão da ausência de uma testemunha. Enquanto os advogados da moça abandonaram o plenário, revoltados com a negativa do juiz Alberto Anderson Filho de adiar completamente a sessão, os defensores dos irmãos Cravinhos sequer compareceram ao tribunal, alegando cerceamento de defesa.
Desta vez, os advogados prometem que, se não houver irregularidade, o júri acontecerá. Para Nacif, o júri é nulo e deveria ser separado. Ele alega que, com a junção, perderá meia hora reservada à defesa da cliente. O pedido foi negado pelo ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), na sexta (14/7), mas Nacif promete apresentar novo pedido ao juiz logo no começo da sessão de hoje.
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