Suzane e irmãos Cravinhos dão versões opostas para morte de casal Richthofen
Rosanne D'Agostino - João Novaes - 17/07/2006 - 23h32
Em quase dez horas da primeira sessão do julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda (São Paulo), que começou por volta das 14h e foi presidido pelo juiz Alberto Anderson Filho, a surpresa ficou por conta da versão dos irmãos de que Cristian não teria participado do assassinato, por ter entrado em “estado de choque”. A versão muda o depoimento prestado por Cristian no decorrer do processo, apresentando agora Daniel como único responsável por desferir os golpes com barras de ferro contra Manfred e Marísia. A alteração do depoimento pode custar a Cristian o benefício da redução da pena, segundo Nadir de Campos —um dos promotores no caso.
Interrogatórios
Primeiro a depor, Daniel disse que Suzane apanhava e sofria abusos do pai, o que teria feito a jovem, ao longo do tempo, alimentar o ódio pelos pais. Disse também que a estudante já não era mais virgem quando a conheceu e também já fumava maconha. Segundo Daniel, foi ela quem o levou para o "mundo das drogas". Daniel contou também que todos os detalhes foram planejados por Suzane, que orientou os irmãos dentro da casa e que desarrumou a biblioteca durante o assassinato, para fazer parecer um latrocínio. Ele disse ainda que Cristian não participou do crime.
Logo depois de Daniel, foi a vez de Cristian depor e confirmar a versão do irmão. De acordo com Cristian, somente Daniel desferiu os golpes mortais contra Manfred e Marísia. Em sua versão, Cristian disse que pensou que uma admissão de culpa poderia reduzir a pena do irmão. Por isso, ele teria inicialmente declarado que participou do assassinato.
Com cabelos curtos, bem cortados, menos avermelhados do que nas últimas aparições, algemada e calçando uma botinha de couro, Suzane contradisse os irmãos e contou a versão de que seguia todas as ordens de Daniel porque o amava. Era esse amor, na versão da estudante, que a levava a financiar uma série de programas, presentes e passeios para Daniel.
Segundo ela, foi Daniel quem tirou sua virgindade e quem a introduziu no uso da maconha e outros entorpecentes. Suzane negou que seu pai a agredia freqüentemente e afirmou que Daniel a fez aceitar a morte de Manfred e Marísia encarando-a como se fosse “uma viagem”. “Imagina como se fosse uma viagem e se seus pais não voltassem”, teria dito Daniel, de acordo com a jovem.
Suzane relatou ainda que Daniel exercia forte influência sobre Andreas, único irmão da estudante. Em seu depoimento, ela disse que obedeceu às ordens de Daniel, ficando no andar térreo da casa e desarrumando os livros da biblioteca. Em pouco mais de três horas de interrogatório, Suzane se disse arrependida e acusou a família Cravinhos de só estar interessada em seu dinheiro. Ao final de seu depoimento, como havia prometido a defesa na semana passada, abriu mão da herança.
O julgamento deve seguir até a próxima sexta-feira (21/7). Nesta terça-feira (18/7), o júri deve ser retomado a partir das 10h. A promotoria quer pelo menos 50 anos para cada um dos réus. Enquanto a defesa de Suzane pretende provar que ela sofreu “coação moral irresistível”, a de Cravinhos vai buscar a comprovação de que a estudante é a principal responsável pela morte dos pais.
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