Policial diz que assassinato do casal Richthofen foi “crime de amadores”
Rosanne D'Agostino - 18/07/2006 - 19h15
“O crime era um procedimento de amadores. Largaram as jóias, celulares, deixaram uma arma no quarto do casal. Se alguém quer roubar, furtar, não deixaria isso no local”, afirmou o policial. “Um ladrão não deixaria a arma no chão.”
Boto depôs por cerca de meia hora no segundo dia de julgamento do assassinato. Suzane e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos são réus em processo no qual a promotoria quer pelo menos 50 anos de prisão para cada um deles.
O policial militar disse que, atendendo ao chamado do 190 feito por Suzane, se encaminhou para a residência dos Richthofen. Ele disse ter estranhado o comportamento de Suzane, que teria perguntado quais seriam os procedimentos que a polícia adotaria. “Eu estranhei a pergunta e a atitude impassível diante da morte dos pais”, afirmou em seu depoimento.
De acordo com Boto, sua intenção era sair da casa e acionar o comando policial, mas foi surpreendido com uma pergunta de Suzane. “Ela perguntou como estavam os pais. Quando eu disse que estavam bem, ela ficou espantada. ‘Como?’, perguntou.”
Já foram ouvidas nesta terça-feira as testemunhas Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, e Cíntia Tucunduva, delegada do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) que conduziu o inquérito sobre a morte do casal.
Após o depoimento das testemunhas de acusação, o juiz Alberto Anderson Filho do 1º Tribunal do Júri de São Paulo irá ouvir as testemunhas de defesa de Suzane e dos irmãos Cravinhos. Em seguida, está prevista uma acareação entre Suzane e Daniel, para confrontar as versões opostas que apresentaram no primeiro dia de julgamento. A acareação, no entanto, deve ocorrer apenas nesta quarta-feira (19/7), devido ao número de testemunhas arroladas.
Andreas
Considerado uma "testemunha-chave" pela proximidade com que acompanhou o relacionamento de Suzane e Daniel, Andreas von Richthofen contradisse, em seu interrogatório, um dos principais pontos da defesa dos irmãos Cravinhos: ao contrário do que disse Daniel, não ocorriam agressões e abusos contra os filhos por parte de Manfred von Richthofen.
Andreas disse também que tanto ele, quanto Suzane, nunca sofreram abuso do pai, mais uma vez contrariando o depoimento de Daniel.
O depoimento prestado ontem por Suzane também teve pontos divergentes em relação ao que disse hoje Andreas. Segundo ele, Suzane mentiu ao dizer que uma arma que ficou dentro de um urso de pelúcia seria um presente de Daniel.
O irmão de Suzane disse também que “eram incômodas” as visitas da avó paterna a Suzane, ao contrário do que disse Suzane. Andreas afirmou ainda não acreditar que Suzane abra mão da herança dos pais porque ela teria pedido a ele para escrever um bilhete dizendo que não queria vê-la excluída da herança.

















