Para perita, assassinato de casal Richthofen foi cometido por duas pessoas
Rosanne D'Agostino - 18/07/2006 - 19h35
Chefe da equipe de peritos criminais envolvida na investigação do caso, Jane Belucci colocou ainda mais dúvidas sobre a nova versão do crime apresentada pelos Cravinhos ontem, que já estava em xeque depois do depoimento de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane. Andreas disse que o pai não batia e não abusava sexualmente dele e da irmã, como afirmou Daniel Cravinhos ontem.
“Foram duas pessoas que cometeram o crime. Na reconstituição, nós fizemos toda a cena, e seria impossível apenas uma pessoa só fazer, dar a volta na cama. Os movimentos foram dados simultaneamente”, afirmou a perita. “Marísia estava com mais ferimentos, ela foi mais judiada. Os dedos significam que ela tentou se defender, pois estavam quebrados. Ela tentou proteger o rosto.”
Ela disse também que a execução do crime levou cerca de meia hora. “Levando em conta que bateram, pegaram uma jarra de água, pegaram saco plástico, acho que durou meia hora”, calcula.
Fotos
A promotoria mostrou uma série de fotos tiradas pela perícia de cômodos da casa. Cada foto apresentada foi confirmada pela perita, que indicava qual era o local exato da residência na imagem. Entre as fotos, a biblioteca com livros e papéis esparramados por Suzane na noite do crime e o quarto do casal Richthofen, onde havia muito sangue.
Na foto do quarto, Jane Belucci apontou o corpo de Manfred —com braço estendido e o rosto desfigurado pelos golpes—, a arma do crime no chão, um objeto sobre a cama e uma jarra de água à direita, sem copos. Segundo a perita, Manfred dormia de lado e a arma próxima ao corpo dava margem a se supor que seria um homicídio seguido de suicídio.
Quando Jane Belucci mostrou os locais dos golpes no corpo de Manfred, a platéia reagiu perplexa, evitando olhar para as imagens que mostram um ferimento profundo e agressões apenas na cabeça de Manfred. Segundo a perita, pelo afundamento do crânio, os golpes foram dados com muita força, com a utilização de “objeto contundente”.
Segundo ela, um ferimento circular no rosto de Manfred gerou dúvida no perito que analisava a cena do crime. Chegou-se a imaginar que seria um machucado provocado por uma ameaça com revólver. Depois, os irmãos Cravinhos contaram que usaram uma barra de ferro recheada de madeira, para poder ficar "bem compacta".
Uma outra imagem mostrada pela promotoria traz Marísia também muito judiada, com vários ferimentos e muito sangue ao redor da cabeça. De acordo com Jane Belluci, a boca aberta e as marcas nos olhos roxos “dão conta de que houve asfixia”.
Reconstituição
A perita contou também como foi a reconstituição do crime, conduzida por ela. Segundo Jane Belucci, no momento da morte do casal, Suzane “estava no pé da escada”, porque “foi pegar o saco plástico”. “Ela [Suzane] faz o sinal [de positivo]. Eles [os Cravinhos] sobem, ela desce. Ela coloca a luva, pega o saco de lixo, coloca na escada e vai pra biblioteca”, contou.
Jane Belucci disse também que Suzane não chorou durante a reconstituição, assim como Cristian. “O único que se descontrolou foi o Daniel. Inclusive, no dia dos fatos, ela [Suzane] falou que foi um dia normal. Almoçou com a mãe naquele dia, no dia que ia acontecer tudo”, afirmou. “Daniel chorou muito. Paramos para ele respirar, pra ele poder continuar. A [reconstituição] que transcorreu mais rapidamente foi a do Cristian, que falou tudo muito certo e não passou mal.”
A perita é a última testemunha de acusação ouvida no julgamento. Antes dela, foram ouvidos Andreas; a delegada que conduziu o inquérito do assassinato, Cíntia Tucunduva, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa); e o policial militar Alexandre Paulino Boto, que atendeu ao chamado de Suzane von Richthofen no dia da morte dos pais.
Agora, começam a ser colhidos os depoimentos das testemunhas da defesa de Cristian. Após os interrogatórios, o juiz fará uma acareação entre Suzane e Daniel Cravinhos, o que deve acontecer somente nesta quarta-feira (19/7).
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