Depoimentos da acusação comprometem versões de Suzane e Cravinhos

Rosanne D'Agostino - Da Redação - 18/07/2006 - 22h34

No segundo dia do julgamento do assassinato do casal Manfred e Marísia von Richthofen, os depoimentos arrolados pela promotoria no caso foram cruciais para comprometer as versões dos réus confessos no crime ocorrido em 31 de outubro de 2002 —Suzane, filha do casal, e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.

Os depoimentos derrubaram a nova versão apresentada pelos Cravinhos nesta segunda-feira (17/7), na qual Cristian não teria participado do crime por ter entrado em “estado de choque”. Mas os depoimentos também comprometeram a imagem que a defesa de Suzane pretendia construir de sua cliente: a estudante foi descrita como “fria” e “manipuladora” pela delegada que conduziu o inquérito do crime e como “tranqüila” no dia do assassinato dos pais no depoimento de Andreas von Richthofen, seu irmão.

O julgamento foi interrompido por volta das 21h40 desta terça pelo juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri do Fórum da Barra Funda (São Paulo), e será retomado nesta quarta-feira (19/7), a partir das 9h30, quando as testemunhas de defesa continuarão sendo ouvidas.

O dia foi marcado também pela expectativa acerca de uma acareção entre Suzane e Daniel, para confrontar as versões divergentes. Ao final dos trabalhos, a promotoria disse que pode abrir mão da acareação, que já havia sido aceita pelo juiz.

Dentre as testemunhas da acusação foram ouvidos Andreas, irmão de Suzane, Cíntia Tucunduva, o policial militar Alexandre Paulino Boto, que atendeu ao chamado de Suzane von Richthofen no dia da morte dos pais, e a perita Jane Marisa Millioni Pacheco Belucci. Em seguida, como testemunhas da defesa de Cristian Cravinhos, foram colhidos os depoimentos de Fábio Alessandro de Oliveira, Ivone Muss Wagner e Hélio Artesi.

Depoimentos
Primeiro a depor nesta terça-feira (18/7), Andreas disse que o pai não batia, nem abusava sexualmente dos filhos, conforme dissera Daniel no dia anterior. A versão dos Cravinhos tomava os “freqüentes abusos” que Suzane supostamente sofria como um dos motivos pelos quais ela alimentou grande ódio contra os pais. Teria sido esse ódio que a levou a planejar o assassinato dos pais, na versão de Daniel Cravinhos.

Andreas também disse que não perdoa a irmã pelo crime e que não acredita que ela vá abrir mão da herança dos pais. Segundo ele, Suzane o teria envolvido, usando de “chantagem emocional”, e o levado a escrever um bilhete no qual pedia para ela não ser excluída da sucessão dos bens dos Richthofen.

Em seguida, veio o depoimento de Cíntia Tucunduva, delegada do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), que conduziu o processo. A delegada descreveu Suzane como uma pessoa “fria” e que teria ficado “abraçando e beijando” Daniel, seu namorado à época, depois de terem recebido a noticia da morte dos pais. O comportamento causou estranheza à delegada, que relatou que Suzane se mostrava “manipuladora” em relação à situação e a Daniel.

A perita criminal Jane Belucci começou a depor às 18h30, como a quarta testemunha de acusação. E deu o depoimento mais significativo para a versão dos Cravinhos. Segundo ela, as evidências do crime mostram de que foi cometido por duas pessoas.

Chefe da equipe de peritos criminais envolvida na investigação do caso, Jane Belucci deu vários detalhes da cena do crime, a partir de fotos mostradas pela promotoria no caso. “Foram duas pessoas que cometeram o crime. Na reconstituição, nós fizemos toda a cena, e seria impossível apenas uma pessoa só fazer, dar a volta na cama. Os movimentos foram dados simultaneamente”, afirmou a perita.

Leia mais:
Jurista diz que depoimento de Andreas “destruiu” tese da defesa de Suzane
Andreas duvida que Suzane abra mão da herança; advogado interrompe sessão
Suzane e irmãos Cravinhos dão versões opostas para morte de casal Richthofen
Daniel me disse que seria “uma viagem”, afirma Suzane sobre morte dos pais
Cristian muda versão e diz que não participou de assassinato dos Richthofen
Advogado de Suzane diz que julgamento “tem várias irregularidades”
Defesa de Suzane promete “bomba” no final do julgamento


Princípios de Direito Penal

Amadeu de Almeida Weinmann

De R$ 96,00

Por R$ 76,80


História de Antônio Vieira

João Lúcio de Azevedo

De R$ 98,00

Por R$ 68,60


Vade Mecum Trabalhista

André Paes de Almeida

De R$ 189,90

Por R$ 151,92


Direito à Terra no Brasil

Marcia Maria Menendes Motta

De R$ 46,00

Por R$ 32,20