Em novo depoimento, Cristian admite ter ajudado a matar casal Richthofen
Rosanne D'Agostino - 19/07/2006 - 22h34
Leia aqui a íntegra do novo depoimento de Cristian
O novo depoimento —fruto de um acordo entre a defesa de Cristian e a promotoria— também responsabilizou Suzane como "condutora" e "mentora" do crime. Cristian conta que Suzane o convidou a participar do assassinato dos próprios pais dizendo que, com eles, ela não poderia ter uma vida.
Segundo ele, sua colaboração no crime foi desferir golpes contra Marísia, pegar sacos plásticos para cobrir os corpos e uma jarra de água. Cristian disse ter feito tudo a pedido do irmão, Daniel, que “parecia estar em outro mundo” e dominado por sua namorada na época, Suzane von Richthofen, filha do casal. Os três são réus no julgamento.
“Suzane subiu, para ver se estavam dormindo, esse era o plano. Parecia que o Daniel tava em outro mundo. Ela voltou rápido, eu bati a porta do carro, a Suzane ficou brava: ‘Você quer estragar tudo!’. Eu entrei na casa, andando, batendo os pés, subimos nós três juntos, Suzane na frente, meu irmão no meio e eu atrás. Paramos na porta, Suzane com a mão no interruptor. Suzane fez um sinal de positivo. Olhei pro meu irmão e gesticulei mais uma vez a minha cabeça. Ele deu a primeira, eu sem saber o que fazer, também fiz. Ele no Manfred, e eu na Marísia", afirmou.
Ele também insinuou que o motivo de Suzane não seria somente a sonhada liberdade dos pais. "Peço a perdão a Deus, e até a Suzane, pelo que eu fiz, porque eu acompanhei pelo jornal e eu tenho certeza de que a mãe dela e nem o pai eram tão ruins assim”, afirmou. "Porque eu acompanhei pelo jornal e eu tenho certeza de que a mãe dela e nem o pai eram tão ruins assim. E se a gente tem pessoas queridas do nosso lado, a gente não ia fazer isso. Acho que tem outro interesse, não sei qual é, de repente, pelo que vi na mídia, sobre os pais dela, não era só a liberdade".
Cristian contou ainda que soube da idéia de matar os Richthofen por Suzane, em churrasco de amigos. Segundo ele, Suzane e Daniel os aconselhou a não assassinarem os pais da estudante, mas diante do pedido do irmão, que tinha medo de fazer sozinho, "simplesmente aceitou". Cristian disse que, depois de matar Marísia, pensou em Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, e cobriu o rosto da mãe com uma toalha. E ainda tentou acordar as vítimas jogando água sobre elas.
"Coloquei um pano no rosto da Marísia. Para asfixiar a garganta dela. Não devia ter feito aquilo. Eu só conseguia pensar no Andreas, ele era como meu irmão caçula. Eu jamais admitiria ele ver aquela cena, não queria que ele fosse um menino traumatizado", revelou.
Comoção
O plenário do tribunal foi tomado pela comoção geral, com muitos dos presentes chorando. O pai de Cristian, Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva, subiu ao plenário para abraçar o filho que chorava ao depor. O ato levou o juiz Alberto Anderson Filho a suspender a sessão temporariamente e, depois, encerrá-la.
O principal advogado de Suzane, Mauro Otávio Nacif, protestou, alegando ser “fora da lei” o ato praticado por Astrogildo —ele saiu abraçado com Cristian e adentrou a sala reservada aos réus. O juiz afirmou que ele mesmo os escoltou. Para o outro advogado de Suzane, Mário Sérgio de Oliveira, o julgamento está "nulo".
No entanto, o juiz diz que o pai subiu “espontaneamente” e “por uma questão de humanidade”, ele deixou que continuasse. O juiz admite que “não é usual” a permissão, mas que “existem exceções e todos são pessoas”. Em seguida, o magistrado perguntou a Cristian se as outras coisas ditas no primeiro interrogatório estavam mantidas.
Como a resposta foi positiva, o juiz decidiu não haver necessidade de acareação entre Suzane e Cravinhos, encerrou a sessão desta quarta-feira e determinou a retomada dos trabalhos nesta quinta-feira (20/7), com a leitura de peças e a exibição de fitas e imagens do processo.
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