Juiz exibe imagens da perícia e diz que Marísia Richthofen demorou para morrer
Rosanne D'Agostino - 20/07/2006 - 12h25
O laudo do IML (Instituto Médico Legal) concluiu que a mãe da ré morreu por traumatismo crânio-encefálico, causado por “instrumento contundente”, com vários golpes. De acordo com a análise, a mãe de Suzane teve uma morte agônica, se mantendo viva por algum tempo.
Muitas das pessoas que acompanham o julgamento, entre jornalistas, convidados e sorteados, preferiram não olhar para as imagens, que mostraram os dedos quebrados e a massa encefálica de Marísia, que ficou exposta depois do crime. Em seguida foram exibidas as imagens do exame feito no corpo do pai de Suzane, Manfred von Richthofen. Segundo o laudo da perícia, ele teria sofrido menos que sua esposa.
O juiz encerrou a exibição das imagens e determinou a leitura de cinco volumes do processo que serão lidos hoje, um a pedido da defesa dos Cravinhos, e quatro a pedido dos advogados de Suzane. Neste momento, está sendo lida a peça que narra o dia do crime.
Retina deslocada
O quarto dia do júri, que começou na segunda-feira, teve início sem a presença do advogado Mauro Otávio Nacif, principal defensor de Suzane. Ele sofreu um deslocamento da retina e só deve comparecer ao julgamento à tarde. Pela manhã, a defesa da ré vem sendo feita pelo advogado Mário Sérgio de Oliveira.
Debates amanhã
Segundo Última Instância apurou, a previsão do juiz é que a leitura dos autos termine ainda hoje. Alberto Anderson Filho quer dedicar a sexta-feira aos debates entre a promotoria e a defesa e à análise do caso pelos jurados, no final do dia, para que seja anunciada a sorte dos acusados.
Suzane chegou ao Fórum da Barra Funda, na zona Oeste da capital paulista, por volta das 10h, e os irmão Cravinhos chegaram em seguida, às 10h20. Os três são acusados da morte do casal Manfred e Marísia von Richthofen, pais de Suzane, em 31 de outubro de 2002. Desde as 10h jornalistas, convidados e sorteados aguardavam a abertura do plenário.
Ontem foram ouvidas as últimas testemunhas do caso, e houve um novo depoimento de Cristian Cravinhos, que voltou atrás e admitiu ter ajudado a matar o casal. Com a nova versão, o juiz Alberto Anderson Filho decidiu pela retirada da acareação entre Suzane e Daniel logo depois do fim da sessão dessa quarta-feira (19/7). Tanto o Ministério Público quanto os advogados dos réus consideram desnecessária a acareação após o novo interrogatório de Cristian.
Cristian chorou muito em seu segundo depoimento, ao dar detalhes de como ajudou a assassinar Marísia. O novo interrogatório, fruto de um acordo entre a defesa de Cristian e a promotoria, também responsabilizou Suzane como "condutora" e "mentora" do crime. Cristian conta que Suzane o convidou a participar do assassinato dos próprios pais dizendo que, com eles, ela não poderia ter “uma vida”. Leia mais aqui sobre o segundo depoimento de Cristian Cravinhos.
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