Destino de Suzane Richthofen e de irmãos Cravinhos deve ser conhecido amanhã
Rosanne D'Agostino - 20/07/2006 - 13h59
Ontem, chegou a ser cogitada a possibilidade de o julgamento ser concluído ainda nesta quinta-feira, mas a defesa de Suzane fez questão da leitura de quatro volumes do processo, em uma tentativa de cansar os jurados e o próprio presidente do 1º Tribunal do Júri.
Se um jurado chegar a dormir ou se o magistrado cometer erros na condução do júri, o advogado Mauro Otávio Nacif, que defende Suzane, pode tentar pedir a nulidade do julgamento.
Aposta no erro
É clara a estratégia da defesa para tentar forçar erros de condução e consigná-los no processo, de forma que isso possa servir de argumento para um eventual pedido de anulação do júri. Há pouco, o depoimento de Suzane prestado no próprio julgamento teve que ser relido, a pedido da defesa.
Antes do início do julgamento, Nacif fez questão da leitura de quatro volumes do processo e reiterou o pedido ontem. Chamado de “príncipe das nulidades” pela acusação, Nacif ainda não chegou ao Fórum da Barra Funda nesta quinta-feira, devido a um problema de descolamento espontâneo da retina, e Suzane está sendo defendida pelo advogado Denivaldo Barni. Nacif passou por cirurgia e pode retornar ainda hoje ao julgamento.
A leitura dos quatro volumes será feita nesta tarde, durante pelo menos quatro horas. A defesa dos Cravinhos pediu a leitura de apenas um volume, e a promotoria abriu mão da leitura de qualquer peça, de forma que o julgamento possa ser realizado mais rapidamente.
Ontem, Nacif reclamou que o Astrogildo Cravinhos, pai de Cristian, subiu ao plenário para abraçar o filho, após seu novo depoimento, em que confessou a participação no crime. O advogado de Suzane fez questão que sua reclamação constasse dos autos. Mário Sérgio de Oliveira, outro advogado de Suzane, chegou a falar que o júri estava nulo.
Imagens do exame do IML
O quarto dia do julgamento começou com a exibição das imagens da perícia realizada no corpo de Marísia (leia mais aqui). O laudo do IML (Instituto Médico Legal) concluiu que a mãe da ré morreu por traumatismo crânio-encefálico, causado por “instrumento contundente”, com vários golpes. De acordo com a análise, a mãe de Suzane teve uma morte agônica, se mantendo viva por algum tempo.
Muitas das pessoas que acompanham o julgamento, entre jornalistas, convidados e sorteados, preferiram não olhar para as imagens, que mostraram os dedos quebrados e a massa encefálica de Marísia, que ficou exposta depois do crime. Em seguida foram exibidas as imagens do exame feito no corpo do pai de Suzane, Manfred von Richthofen. Segundo o laudo da perícia, ele teria sofrido menos que sua esposa.
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