Advogados de Suzane têm opiniões diferentes sobre anulação de julgamento
João Novaes - 20/07/2006 - 15h05
Durante o depoimento que causou muita emoção no público presente ao plenário do Fórum da Barra Funda, Cristian começou a chorar muito e foi abraçado por seu pai, Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva. O juiz Alberto Anderson Filho interrompeu a sessão, e Cristian saiu do plenário para a sala destinada aos réus acompanhado do pai. Pouco depois, o juiz anunciou a interrupção da sessão até a manhã seguinte.
Momentos depois, o advogado Mário Sérgio de Oliveira disse que, por causa da saída de Cristian ter ocorrido dessa forma, o júri estava nulo. Nesta quinta-feira (20/7), ele afirmou que ainda está estudando essa possibilidade. Após o encerramento da sessão, Nacif protestou, alegando ser "fora da lei" o ato praticado por Astrogildo. Em seguida, o juiz afirmou que foi ele mesmo quem os escoltou, junto com policiais.
"O Mário Sérgio tem toda a razão, porque houve várias irregularidades graves. Por exemplo, o pai do Cristian não poderia sair com ele abraçado, porque poderia conversar com ele, o que é proibido", concordou Nacif.
O promotor Roberto Tardelli também admite que a saída de Cristian foi uma irregularidade. No entanto, segundo ele, o fato reclamado por Mário Sérgio de Oliveira não é forte o suficiente para anular o julgamento, já que não compromete o processo. "O que ocorreu foi normal? Não. Mas o que significa pedir nulidade? O que ocorreu contaminou o direito de defesa? Só seria nulo se não houvesse, por parte da defesa de Suzane, a oportunidade em inquirir o Cristian após esse segundo interrogatório. Como eles não inquiriram, então não existe mais nada", afirmou.
Nova linha
No início da madrugada, na saída do prédio do fórum, Nacif recuou para uma estratégia mais conservadora. Ele é conhecido no meio jurídico como o "príncipe das nulidades" [embora se auto-intitule como “rei das nulidades”], já que é considerado especialista em apontar erros em processos, e pedir anulações. No entanto, dessa vez, acredita que há um motivo mais forte do que o apontado por seu colega para anular o julgamento.
"Eu não vou pedir nulidade pelo dia de hoje [quarta-feira]. Gosto de pegar pêlo em ovo, mas esse pêlo aí é bem fininho, não vale a pena insistir com ele não. O que eu vou insistir é pela meia-hora [na fase dos debates] que eu quero a mais. Dessa, eu não abro mão. Quiseram me dar quinze minutos, não aceito. Se me derem 29 minutos e 59 segundos, ainda assim, vou pedir nulidade. E vocês [jornalistas] podem ter certeza que estarão de volta aqui no Fórum para um novo júri em alguns meses".
O advogado Adib Geraldo Jabur, que defende os irmãos Cravinhos, chegou a oferecer meia hora que lhe é reservada, "em nome do bom andamento dos trabalhos". Por inúmeras vezes durante o júri, o defensor de Daniel e Cristian abriu mão de seus direitos para que este não fosse adiado ou desmembrado. "É claro que a defesa deles [Cravinhos] quer me conceder, para eles é interessante, eles estão morrendo de medo de mim", afirma Nacif, enquanto comia uma mousse de maracujá.
O juiz Alberto Anderson Filho disse que escoltou o réu até a sala e considerou inadequado falar de anulação. “São situações que não são normais, mas não há nada que justifique uma nulidade, até porque ele já tinha acabado de falar”, afirmou.
Promotoria
Quanto ao pedido de meia-hora a mais que é insistentemente, desde o início do júri, exigido pela defesa de Suzane, o promotor acredita que esse é um assunto que deve ser acertado entre as defesas e que não deve implicar a acusação.
"Essa é uma história que eles vão ter que se entender. O que é claro é que a defesa terá três horas. Quanto cada parte vai ter na defesa, esse bolo é deles. Que a defesas repartam as velinhas do jeito que quiserem".
A última fase do julgamento é a dos debates, quando a acusação terá duas horas, e a defesa, outras duas, com direito a réplica e tréplica, de uma hora cada, para apresentarem seus argumentos ao juiz e aos jurados. Tudo o que for dito no tribunal será documentado em ata. Depois disso, os jurados se reúnem na câmara secreta, e o resultado deve ser conhecido uma hora depois.

















