Promotor diz não temer anulação e insiste em pena alta para Suzane e Cravinhos

João Novaes - 20/07/2006 - 16h34

Diante das declarações da defesa de Suzane von Richthofen de que pode pedir a anulação do júri por supostas irregularidades ocorridas no julgamento, o promotor Roberto Tardelli declarou nesta quinta-feira (20/7) que fará “quantos julgamentos forem necessários”, mas que, em todos eles, pedirá a mesma pena: 50 anos para cada um dos réus —Suzane e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.

Os três são acusados de matar o casal Manfred e Marísia von Richthofen, pais de Suzane, no dia 31 de outubro de 2002. O julgamento começou nesta segunda-feira (17/7) e deve ter sua conclusão amanhã, quando o júri popular formado por sete pessoas da sociedade vão divulgar seu veredicto.

“Isso [pedir uma pena mais branda] não é possível, porque o objetivo era a morte dos dois. Não há a menor possibilidade de a gente abrir mão disso, nenhuma”, afirmou o promotor Roberto Tardelli, lembrando que os réus são acusados de duplo homicídio triplamente qualificado.

De acordo com Tardelli, a promotoria não trabalha com a hipótese de pedir uma pena menor para qualquer um dos réus, com vistas a evitar a realização de novo julgamento. A hipótese foi aventada porque a legislação penal brasileira prevê que, se uma sentença para um crime for maior do que 20 anos, automaticamente um novo julgamento é agendado.

Tardelli esclareceu que o pedido da promotoria é de uma pena abaixo de 20 anos para cada homicídio no caso Richthofen. Assim, a somatória das penas superaria os 50 anos, contando-se as qualificadoras (motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima, meio cruel), mas cada réu seria penalizado em menos de 20 anos por cada crime. Por isso, caso os réus sejam condenados, um novo julgamento "aumtomático" não acontecerá.

O quarto dia do julgamento, iniciado na segunda-feira (17/7), começou com a exibição das imagens da perícia realizada no corpo de Marísia. O laudo do IML (Instituto Médico Legal) concluiu que a mãe da ré morreu por traumatismo crânio-encefálico, causado por “instrumento contundente”, com vários golpes. De acordo com a análise, a mãe de Suzane teve uma morte agônica, se mantendo viva por algum tempo.

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