Suzane e Cravinhos ouvem argumentos da promotoria de cabeça baixa
Rosanne D'Agostino - 21/07/2006 - 12h34
Suzane von Richthofen e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos são réus no julgamento do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, pais de Suzane. Os três ouvem os argumentos da acusação de cabeça baixa. O julgamento está em sua fase final, quando a acusação e as defesas vão discursar e apresentar seus argumentos aos jurados. Tardelli é o primeiro a falar e terá três horas para fazer sua argumentação.
“Nossa historia de hoje vem romper o nosso equilíbrio, nossa normalidade de vida. Vamos imaginar duas famílias trabalhadoras. De um lado, um engenheiro e uma médica psiquiatra. Do outro lado, um funcionário público e sua esposa cuidando de seus filhos. Quem criou esses filhos, os criou com todo zelo”, afirmou Tardelli. “Vamos imaginar que houve obstáculos. Mas como é emocionante ver o filho crescer, as primeiras letras, os primeiros passos. Observar essas crianças se transformando em gente. Vamos imaginar que essas famílias deram tudo a elas, e não dinheiro, é o dar educação, dedicar. Quem tem filho, quem escolhe ter filhos, faz opção em ter alguém para amar. Essa é a família. Essa é por quem eu dou a vida mil vezes se tiver que dar.”
De acordo com Tardelli, no caso Richthofen, o relacionamento intenso de Suzane e Daniel, namorados à época do crime, começou a prejudicar toda a atmosfera das duas famílias e a comprometer os ideais que faziam parte da educação passada aos filhos.
“Porque nós nos apaixonamos é que temos os nossos filhos. Até que alguém de uma família conhece alguém de outra família. Só que esses ‘alguéns’, não são ‘alguéns’ comuns. Essas duas crianças começam a se apaixonar. E quem nunca viu o filho morrer de amores?”, afirmou. “Houve um momento em que essa relação sufocou as famílias. A família Richthofen tentou terminar o namoro. A família Cravinhos tentou trazer o casal para dentro de casa e assim tentar fazer alguma coisa. Ambas sabiam que o relacionamento estava intenso demais.”
Dinheiro
Segundo Tardelli, o relacionamento ganhou um ingrediente ainda mais explosivo: a cobiça. Interessados no dinheiro dos pais de Suzane, segundo Tardelli, os dois ex-namorados teriam iniciado uma escalada que não pouparia ninguém que tivesse se colocado no caminho.
“Não, é preciso uma coisa a mais, eu quero teu dinheiro, quero teu suor, quero teu trabalho. Eu quero isso porque é meu, não é seu. E se você não me der, eu te elimino do meu caminho. Pouco importa que nós não sabemos da intimidade desse casal, quem perdeu a virgindade com quem”, argumenta o promotor. “Queremos a liberdade? Tenha direito ao seu amor, trabalhe, viva com pouca renda. Mas eu não quero trabalhar, não quero. Lutar é uma coisa que eu não preciso fazer porque alguém sempre lutou por mim. Sempre alguém lutou desesperadamente por mim. Eu quero a minha liberdade, mas eu quero dinheiro, porque dinheiro também é muito bom. Mas eu não quero me esforçar. Por que eu vou querer isto, se eu já tenho de graça?”
Após a argumentação de Tardelli, as defesas dos Cravinhos e de Suzane vão apresentar seus argumentos por 1h30 cada. Se a acusação pedir réplica, terá mais uma hora para falar e abre a possibilidade de cada defesa falar por mais meia hora. Ao todo, os debates podem durar até oito horas. Em seguida, os jurados se reúnem para chegar a um veredicto. A expectativa é que o resultado saia ainda nesta sexta-feira (21/7).
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