Promotoria diz que Suzane e Cravinhos foram sócios em crime "por dinheiro"
Rosanne D'Agostino - 21/07/2006 - 13h51
O julgamento, iniciado na segunda-feira (17/7), chega hoje ao seu último dia . Após a fala de três horas dos promotores Roberto Tardelli e Nadir de Campos Jr. e do advogado Alberto Zacharias Toron, assistente da acusação, a sessão foi suspensa pelo juiz Alberto Anderson Filho e será retomada com as argumentações dos advogados dos Cravinhos e da defesa de Suzane.
Durante a argumentação de Tardelli (leia a íntegra), iniciada por volta das 11h, os Cravinhos choraram. Falando o tempo todo voltado para os sete jurados que compõem o júri popular no caso, Tardelli sustentou que o assassinato foi tramado friamente, em conjunto e sem manipulação por uma das partes. De acordo com o promotor, foi o interesse no dinheiro dos pais de Suzane que o crime foi cometido, após ser tramado com cuidado, observando cada detalhe.
“Esse casal [Daniel e Suzane] percebeu que devia dar um passo à frente. Eliminar o casal Richthofen. E esse é um tipo de segredo que não se compartilha. Tudo foi macabramente planejado. Como eu posso imaginar que esse rapaz e essa moça se fecham no quarto e dão um tiro para ver o barulho que vai fazer. Como percebemos que nossos filhos planejavam o mais macabro, o mais grave dos crimes de que se tem notícia?”, afirmou.
“Eles tiveram o tempo de pensar em luvas cirúrgicas, em meia calça”, disse. “Só negando completamente a realidade nós podemos afirmar que um tenha dominado o outro. São tão desesperadamente arrependidos que estavam tomando sol na piscina.”
Tardelli ironizou o pedido de Suzane para ser excluída da herança durante o julgamento e disse que o crime “foi a maior destruição que presenciou em 22 anos de carreira”.
Nadir e Toron
Depois de Tardelli, foi a vez do promotor Nadir de Campos Jr. usar a palavra (leia a íntegra). Em “estilo mais agressivo” de argumentação, Campos falou em tom de voz elevado e sempre olhando para os réus. “Isso é nojento! Isso é asqueroso!”, afirmou em alusão à ida de Suzane e Daniel para um motel após o assassinato do casal Richthofen. A atuação do promotor foi alvo de críticas por parte da defesa de Suzane.
A argumentação de Campos também teve um momento de descontração para a platéia. Foi quando o promotor, que é negro, disse que “o espírito negão”, mencionado por Daniel, havia “se materializado” para dizer que a mãe de Suzane tinha amamentado a filha. “Ela almoçou com você. Aproveite a oportunidade, Suzane, porque o espírito negão chegou para te dizer isso”, afirmou, arrancando gargalhadas dos presentes.
O assistente da acusação, Alberto Toron foi o último a falar pela promotoria (leia a íntegra). Ele reforçou a linha de Tardelli e insistiu na participação dos três, com as mesmas responsabilidades no crime.
“O Cristian também deve ser responsabilizado pela morte dos dois. Porque, senão, a Suzane não seria condenada, porque não bateu em ninguém. Nossa lei brasileira também responsabiliza o mandante, e a ação toda não seria possível sem ela. Eles tinham uma cooperação, quase que uma divisão de tarefas. E saber se os pais estavam dormindo, isso é uma atitude covarde. E ela confirmou. E eles foram lá e castigaram impiedosamente. Todos estavam articulados com o mesmo objetivo e desempenharam funções essenciais para se consumar esse duplo homicídio”, afirmou.
Na última fase do julgamento, acontecem os debates entre a acusação e as defesas. Cada uma apresenta sua argumentação para o júri, podendo haver réplica e tréplica. Ao todo, a fase pode durar até oito horas. Em seguida, os jurados se reúnem e chegam a um veredicto, que será redigido pelo juiz Alberto Anderson Filho.
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