Advogados de Suzane ainda não se decidiram sobre pedido de anulação

João Novaes - 21/07/2006 - 14h20

Os advogados de Suzane von Richthofen ainda consideram a possibilidade de pedir nulidade no julgamento de sua cliente, que deve terminar no início desta madrugada no 1º Tribunal do Júri, no Fórum da Barra Funda, em São Paulo. Ela e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos são acusados por duplo homicídio triplamente qualificado pela morte do casal Manfred e Marísia von Richthofen, pais da jovem, crime ocorrido em outubro de 2002.

A defesa de Suzane desenha três caminhos: reclamar cerceamento de defesa, alegando que não haveria tempo suficiente para as argumentações; o fato de Cristian Cravinhos ter sido abraçado pelo pai antes de seu segundo depoimento ter terminado —o que poderia ter emocionado os jurados—; e do fato de o réu ter saído do plenário em companhia do pai, mesmo escoltado pelo juiz Alberto Anderson Filho, o que não é permitido. De acordo com Mário Sérgio de Oliveira, um dos advogados de Suzane, as possibilidades ainda “estão em aberto”. As duas últimas, consignadas em ata, segundo ele, poderão ser contestadas após o julgamento.

O outro defensor de Suzane, Mário Otávio Nacif, não mostrou entusiasmo com os argumentos envolvendo o depoimento de Cristian. “O Mário Sérgio gostou dessa tese, mas eu acho que ela não deve vingar. Sem dúvida houve irregularidade. Mas deve-se levar em conta o estado emocional em que a família se encontrava. O que devemos insistir é no pedido de meia-hora a mais”, afirma.

Nacif chegou ao Fórum da Barra Funda (São Paulo), onde acontece o julgamento, por volta das 11h, com mais atraso do que toda a equipe de defesa, o que inicialmente causou preocupação no Ministério Público, que temia que esta fosse uma estratégia para que o julgamento termine mais tarde, além de ter o intuito de provocar cansaço no júri.

Após chegar de táxi, advogado ainda estava debilitado por seu problema de deslocamento na retina do olho esquerdo, o que o obriga a usar óculos escuros e caminhar com o pescoço torcido. Como sempre, brincou com os jornalistas, se disse otimista, insistiu na absolvição de sua cliente sob a tese de coação moral irresistível, prometeu um “argumento bomba” nos sete minutos finais e afirmou que o problema no olho não vai atrapalhar.

No entanto, Nacif usou um discurso mais duro contra o irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, tentando diminuir o impacto de seu depoimento. “O Andreas é um mentiroso. Ele mentiu em relação à arma, que era dele. Quando estava solta, a Suzane ligou para ele e pediu para que ele explicasse que a arma não era dela e ele simplesmente perguntou quem acreditaria nela”. Hoje, Nacif finalmente reconheceu que a oitiva do irmão foi “muito prejudicial” à sua cliente, ao contrário do que afirmara anteriormente.

Ao contrário da expansividade de Nacif, Mário Sérgio de Oliveira não mostrou o mesmo otimismo. “A minha expectativa infelizmente não é das melhores. Não está havendo igualdade entre as partes. A defesa tem menos tempo do que o Ministério Público para apresentar as teses. Serão duas horas para eles e quatro horas para nós, já que a defesa dos irmãos Cravinhos também está acusando Suzane”, disse. Desde o início, os defensores da jovem afirmam que tentarão anular o julgamento por essa razão.

O tempo destinado às partes na etapa de debates do julgamento está especificado no parágrafo 2º do artigo 474 do Código de Processo Penal: “Havendo mais de um réu, o tempo para a acusação e para a defesa será, em relação a todos, acrescido de 1 (uma) hora e elevado ao dobro o da réplica e da tréplica”.


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