Íntegra da fala do promotor Nadir de Campos no júri do caso Richthofen
Rosanne D'Agostino - 21/07/2006 - 15h18
O promotor classificou como “nojenta” a ida de Daniel Cravinhos e Suzane von Richthofen a um motel após o assassinato dos pais da jovem, Manfred e Marísia, no dia 31 de outubro de 2002.
Campos, que é negro, também chamou a atenção ao falar do espírito “negro” que Daniel disse ter ouvido algumas vezes. De acordo com Daniel, o espírito o teria estimulado a praticar o crime.
“O espírito negão veio aqui para dizer, se materializou, veio aqui dizer que sua mãe te amamentou. Ela almoçou com você. Aproveite a oportunidade, Suzane, porque o espírito negão chegou pra te dizer isso”, disse Campos, provocando gargalhadas dos presentes.
Leia abaixo a íntegra da argumentação de Nadir de Campos:
[Nadir de Campos começa a falar. Diz que entrou no processo porque, num determinado momento, Tardelli precisou de ajuda. Pede a condenação dos jovens a uma pena didática a toda sociedade]
“Gostaria de saudar aquele que voltou atrás, senhor Cristian Cravinhos, falando de seu arrependimento. Isso pode ser avaliado no momento da dosagem da pena pelo magistrado. Mas dizer que isso significa muito mais para sua família, um peso que eles tiram das costas.
[Nadir grita com Cristian]
Isso é nojento! Isso é asqueroso! [falando de Suzane e Daniel terem ido ao motel. Grita também com Daniel, diz que essa pessoa confiou nele, e Daniel chora]
Foi dormindo que o senhor o matou!
[Agora Nadir fala diretamente a Suzane, Nacif fica ao lado dela com o braço em seu ombro]
O espírito negão veio aqui para dizer, se materializou, veio aqui dizer que sua mãe te amamentou. Ela almoçou com você. Aproveite a oportunidade, Suzane, porque o espírito negão chegou pra te dizer isso.
[Cita Alan Kardec, o codificador da doutrina espírita, e a bíblia, na parte do apocalipse. Diz que os pecadores vão ser punidos]
Esse crime foi arquitetado por você, Suzane, e sua mãe nunca esperava aquelas estocadas. E você não está feliz enquanto não admitir a sua culpa. É preciso a gente parar pra pensar, Suzane, porque eu converso com meus filhos e fico nessa angustia de saber o que é mais dolorido. Os filhos perderem seus pais, ou os pais perderem seus filhos. Eu perdi minha mãe, e você fez a escolha de perder seus pais. Que a pena a faça refletir. Eu perdi minha mãe, você perdeu a sua também.
[Suzane mexe a cabeça negativamente]
A tese de defesa é um caminho tortuoso que vai levar os senhores à falsa compreensão da realidade [cita as teses do Nacif]. A prova do processo é contundente. Quem mata como eles, não está arrependido."
[Cravinhos saem de novo. Nadir encerra]
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