Defesa de Cravinhos pede ao júri pena menor para Cristian
Rosanne D'Agostino - 21/07/2006 - 17h55
De acordo com Jabur, Cristian Cravinhos deveria ser condenado somente pelo assassinato de Marísia e com apenas uma qualificadora —impossibilidade de defesa da vítima. Para Daniel, a defesa concorda com o pedido da acusação, de que houve duplo homicídio, mas também não considera ter havido motivo torpe, nem meio cruel. Assim, o ex-namorado de Suzane também só responderia a apenas uma qualificadora.
Daniel e Cristian foram denunciados pelo Ministério Público por duplo homicídio triplamente qualificado —motivo torpe (fútil), meio cruel (uso de barras de ferro para cometer o crime) e impossibilidade de defesa das vítimas—, além de fraude processual, pela tentativa de simular um latrocínio revirando a biblioteca da casa. A defesa dos Cravinhos também alegou não ter havido fraude processual.
A promotoria pede que os três réus —os Cravinhos e mais a filha do casal, Suzane von Richthofen— sejam condenados a 25 anos de prisão por cada um dos assassinatos e com as qualificadoras. No total, a promotoria pede que cada réu seja condenado a 50 anos de prisão —a fixação da pena cabe ao juiz.
“A defesa dos Cravinhos pretende: Cristian por homicídio qualificado, numa pessoa sem capacidade de se defender”, disse Jabur ao final de sua argumentação de defesa.
Em cerca de uma hora de defesa (leia a íntegra), Jabur agradeceu a todas as partes envolvidas no processo e insistiu na tese de que Suzane foi a mentora do crime. A defesa dos Cravinhos pediu uma “pena justa” para cada um, na medida de suas responsabilidades.
“E isso precisa ficar bem claro, porque a sociedade espera de vocês [jurados] uma atuação justa. Ninguém está dizendo aqui que não aconteceu, apenas precisamos delinear a conduta, a culpabilidade de cada um. Se tirássemos a ação de Cristian, Manfred teria morrido da mesma forma”, afirmou Gislaine em sua argumentação.
Ao final de sua fala, Jabur disse que, para dar sua “contribuição descompromissada”, deixava meia hora de seu tempo para a defesa de Suzane. O principal advogado de Suzane, Mauro Otávio Nacif, tem reivindicado desde o primeiro dia de julgamento, na segunda-feira passada (17/7), mais tempo para sua argumentação, chegando a ameaçar pedir a anulação do julgamento. Por isso, Jabur decidiu por ceder parte de seu tempo.
Depois da defesa de Suzane falar, os sete integrantes do júri popular se reúnem reservadamente até chegar a um veredicto —eles respondem a um questionário elaborado pelo juiz sobre partes do processo e do julgamento, para se garantir que eles estiveram atentos. Em seguida, a sentença será redigida, a partir do veredicto, pelo juiz Alberto Anderson Filho que anuncia o resultado do julgamento.
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