Promotor diz que membros da Renascer forjavam roubo para ampliar doações
Rosanne D'Agostino - 04/09/2006 - 18h15
Mendroni é quem assina a denúncia contra os fundadores da Igreja, que tiveram seus bens bloqueados pela Justiça. Segundo ele, encerradas as arrecadações dos fiéis, os líderes da Igreja relatariam que as quantias tinham sido roubadas para, em seguida, arrecadarem mais.
De acordo com o promotor, que apresentou a denúncia após cerca de quatro anos de investigações, o objetivo seria o de arrecadar sempre mais dos fiéis, e uma forma de prestar contas do que acontecia com as doações. “Temos documentos que demonstram esse tipo de golpe, e existem evidências de que isso tenha acontecido com maior freqüência na Igreja de Alphaville”, afirma.
“Eles criaram um produto que é a fé. E vendem essa fé em moldes de organização criminosa”, afirma Mendroni. Segundo o promotor, os denunciados ainda aplicam golpes na praça e respondem a uma série de ações por falta de cumprimento com seus deveres legais, como ações de despejo. “Contraem dívidas que não podem e nem querem pagar. Prometem atividades filantrópicas que não são cumpridas. São estelionatários contumazes”, disse.
Bloqueio
O juiz Paulo Antônio Rossi, da 1ª Vara de Justiça Criminal de São Paulo, aceitou denúncia do Ministério Público e determinou o bloqueio dos bens dos fundadores da Igreja Renascer, Estevam Hernandes Filho, conhecido como “apóstolo”, e sua esposa, Sonia Haddad Moraes Hernandes, conhecida como “bispa” Sonia. Eles vão responder a ação penal por prática de crimes de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, previstos no artigo 1º inciso VII da Lei n° 9.613/98.
A defesa dos fundadores da Igreja diz que não irá se manifestar sobre o caso e disse estranhar a publicização de detalhes da ação, que correria em segredo de Justiça.
Além dos fundadores da igreja, também foram denunciados Leonardo Abbud, Antonio Carlos Ayres Abbud e Ricardo Abbud, acusados de emprestarem seus nomes como “testas-de-ferro” para simularem a propriedade de algumas das empresas pela igreja. A denúncia também cita confecções, editoras e empresas de comunicação como parte do esquema. O primeiro interrogatório foi marcado para o dia 15 de setembro.

















