Secretário anuncia suspensão parcial das obras da Linha 4 do metrô de SP

Rosanne D'Agostino - 14/02/2007 - 18h30

Pelo menos 17 das 23 frentes de trabalho existentes na Linha 4 (Amarela) do metrô de São Paulo estão oficialmente paralisadas por motivos de segurança. A informação é do secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, que afirmou que a paralisação deve durar duas semanas.

“Boa parte da obra vai parar para ser feito um pente fino nessa linha. Nós queremos retomar a obra com toda segurança”, afirmou o secretário.

O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) deverá certificar laudos a serem realizados por auditores independentes contratados pelo Consórcio Via Amarela sobre as condições de segurança de cada uma das frentes de trabalho paralisadas na Linha 4, incluindo a da futura estação Fradique Coutinho. Em 14 dias, esse material deve estar pronto.

O secretário participa de reunião entre o promotor Carlos Alberto Amin Filho, da Promotoria de Habitação e Urbanismo do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) e representantes do Metrô, do Consórcio Via Amarela —responsável pela construção da Linha 4— e do IPT.

Desde as 14h20 desta quarta-feira (14/2), eles discutem a elaboração de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que garanta a segurança nas obras da Linha 4 (amarela) do metrô. A reunião, na sede do MP-SP, ainda não terminou e pode ter novos desdobramentos.

Fradique Coutinho
Nesta terça-feira (13/2), o Jornal Nacional revelou que um laudo elaborado pela empresa Tecnoplani Inspeções, a pedido do consórcio, aponta problemas na estrutura metálica que sustenta as paredes das obras da futura estação Fradique Coutinho.

De acordo com o laudo, realizado 15 dias após o desabamento da futura estação Pinheiros, os problemas estruturais poderiam provocar “acidentes de proporções imprevisíveis”. Assinado pelo inspetor de soldagem Nelson Augusto Damásio, o laudo recomenda que as obras da Linha 4 sejam paralisadas até que sejam feitos trabalhos para recuperar as soldas metálicas que sustentam o canteiro da estação Fradique Coutinho.

Pela manhã, Portella disse que havia determinado ao consórcio que entregue ao Metrô um laudo sobre as condições de segurança das 23 frentes de trabalho da obra. Segundo ele, o Metrô não foi avisado das supostas falhas de segurança encontradas nas obras da futura estação Fradique Coutinho.

“O Metrô considerou grave o fato de o consórcio não ter informado sobre o laudo que atestava irregularidades na estação Fradique Coutinho”, afirmou o secretário, ao deixar a reunião no MP-SP.

Desabamento
No dia 12 de janeiro deste ano, o canteiro de obras da futura estação Pinheiros da Linha Amarela desabou, resultando na morte de sete pessoas. No dia 30 de janeiro, a DRT-SP (Delegacia Regional do Trabalho em São Paulo) embargou parcialmente o entorno da obra da estação Pinheiros, local do desabamento.

A decisão foi tomada depois que fiscalização feita por auditores fiscais do Ministério do Trabalho constataram “situação de grave e iminente risco à saúde e integridade física dos trabalhadores”. O embargo vale até que haja segurança aos funcionários e permite a trabalhos de contenção, estabilização e reforço das estruturas de concreto e de metal.

O projeto da Linha 4 prevê a construção de 11 estações, ligando a Luz (centro) à Vila Sônia (zona oeste), e tem previsão inicial de ser entregue por completo em 2012. A Linha Amarela terá 12,8 km de extensão, e a estimativa é de que atenda a 970 mil pessoas por dia.

No trecho inicial da obra, previsto inicialmente para 2008, serão inauguradas estações no Butantã, em Pinheiros, na Faria Lima e na Paulista, além das conexões nas estações República e Luz. O trecho é considerado vital para o transporte público na capital.

As obras são divididas em três lotes, num custo total de cerca de R$ 1,8 bilhão. O Consórcio Via Amarela venceu a licitação para os lotes 1 (R$ 868,4 milhões) e 2 (R$ 730,5 milhões), onde ocorreu o acidente. O lote 3 (R$ 219,8 milhões) foi vencido pelo Consórcio Camargo Corrêa.


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