Maluf e filho são indiciados em Nova York por crime de lavagem de dinheiro

Camilo Toscano - 08/03/2007 - 17h35

Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo (1993-1996), e seu filho Flávio Maluf foram indiciados nesta quinta-feira (8/3) em Nova York, acusados de suposto crime de lavagem de dinheiro praticado em Manhattan.

Eles são acusados de desviar mais de US$ 11,6 milhões da construção da av. Água Espraiada (hoje, av. Jornalista Roberto Marinho) e depositar o dinheiro em uma conta controlada secretamente por Maluf em Nova York, com o codinome “Chanani”, segundo o procurador de Manhattan Robert Morgenthau. O dinheiro foi então transferido para uma conta que teria Maluf como titular na ilha britânica de Jersey.

Além de Maluf e seu filho, também foram indiciados Simeao Damasceno de Oliveira, diretor financeiro da construtora Mendes Jr., Joel Guedes Fernandes, responsável pelos pagamentos da Mendes Jr., e o doleiro Vivaldo Alves.

De acordo com a procuradoria de Nova York, o dinheiro teria sido usado para pagar “despesas pessoais nos EUA” e “campanhas públicas no Brasil” —como as campanhas de 1998 para o governo do Estado de São Paulo e de 1996 para o sucessor de Maluf na preifeitura, o ex-prefeito Celso Pitta. Morgenthau afirma que a conta de Nova York era usada como meio de transferir recursos desviados para paraísos fiscais.

Cooperação
O indiciamento só foi possível em razão da cooperação internacional com base no MLAT (Mutual Legal Assistance Treaty). O Ministério Público do Estado de São Paulo, através da Promotoria de Justiça da Cidadania da Capital, trabalhou em conjunto com os promotores Adam Kaufmann, Matthew Rosen e outras autoridades norte-americanas, encaminhando documentos.

Além disso, o promotor de Justiça Silvio Antonio Marques foi ouvido no dia 13 de fevereiro pelo Grand Jury, em Manhattan, ocasião em que esclareceu todos os pontos da investigação realizada no Brasil.

O ex-prefeito se apresentou à PF brasileira em setembro de 2005 durante uma investigação sobre desvio de verba. A assessoria de Maluf informou, por meio de nota, que o ex-prefeito já contratou advogado para defendê-lo nos EUA.

“A investigação concluiu que, enquanto Maluf era prefeito, de 1993 a 1996, e ainda depois disso, os envolvidos conspiraram para roubar e roubar massivas quantias de dinheiro da cidade de São Paulo. Maluf usou sua posição para instalar amigos próximos e aliados em posições-chave no governo municipal, facilitando o esquema”, diz a procuradoria de Nova York.

Esquema
O esquema que teria sido montado na Prefeitura de São Paulo funcionava da seguinte forma, de acordo com a promotoria de Nova York: para integrar o projeto da av. Águas Espraiadas, construtoras sub-contratadas apresentavam notas com valores inflacionados para prestar seus serviços —incluindo itens como maquinários, insumos e mão-de-obra; essas notas eram repassadas à Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), que efetuava o pagamento acima dos valores de mercado; após o dinheiro sair da Emurb, as construtoras principais repassavam parte do montante para Maluf e Flávio —à vista ou por meio de depósitos efetuados por doleiros— e distribuía o restante entre os demais integrantes do esquema.

Segundo a procuradoria de Nova York, a conta “Chanani” foi aberta por Alves e o dinheiro depositado nela, após passar por paraísos fiscais, voltava ao Brasil por meio de doleiros.

No documento de indiciamento, os promotores norte-americanos citam 50 movimentações na conta “Chanani”, entre “transferências de fundos roubados do Brasil”, “uso de fundos roubados”, “transferências de fundos roubados para Jersey”, “uso de fundos roubados para financiar campanhas políticas brasileiras” e “transferências de fundos roubados para o Brasil”.

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