Operação da PF no Rio prende ex-vice-presidente do TRF-2
Ricardo Viel - 13/04/2007 - 10h15
Entre os detidos pela PF está o ex-vice-presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, membro do órgão desde 1993.
Outros membros do Poder Judiciário, também pertencentes ao TRF-2, estão sendo procurados. A operação prendeu ainda o juiz Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região (Campinas) e o procurador regional da República do Rio de Janeiro João Sérgio Leal Pereira.
De acordo com a assessoria da PF, foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão contra chefes de grupos ligados a jogos ilegais (bingo, caça-níqueis e jogo do bicho), empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal. Um contingente de 300 policiais foi deslocado para a operação.
O ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, Anísio Abraão David, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Capitão Guimarães e o bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, também foram detidos.
O corregedor nacional de Justiça, ministro Antônio de Pádua Ribeiro, do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), determinou a abertura de sindicância para apurar infrações disciplinares de magistrados supostamente envolvidos no esquema.
A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) divulgou nota pública dizendo que acompanhará “atentamente” os desdobramentos das investigações.
O vice-presidente judicial do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, no exercício da Presidência, Renato Buratto, afirmou que a prisão do magistrado Ernesto da Luz Pinto Dória, não tem ligação com a sua atividade como juiz do trabalho.
Segundo ele, o Tribunal Pleno reuniu-se, extraordinariamente, nesta tarde e decidiu pela abertura de procedimento administrativo disciplinar e, de conseqüência, pelo afastamento cautelar e temporário do magistrado de suas funções.
Por alguns instantes Última Instância noticiou que Carreira Alvim ainda era vice-presidente do TRF-2, informação que constava no site do órgão. Em contato com a assessoria de imprensa do tribunal, a reportagem foi informada que o desembargador havia deixado o cargo de vice-presidente, em solenidade na noite desta quinta-feira (12/4).
Somente após o contato telefônico, as informações foram corrigidas no site da instituição. De acordo com a assessoria do TRF-2, a mudança no quadro do tribunal não tem nenhuma ligação com a operação da PF.
A assessoria do TRF-2 informou que a alteração do quadro administrativo, que se deu na noite de quinta, estava sendo feita pelo técnicos na manhã desta sexta. O gabinete do desembargador, membro do TRF-2 desde 1993, foi lacrado pela PF.
Operação Furacão
O trabalho policial que resultou na Operação Hurricane (Furação em inglês) teve início com a identificação de uma organização criminosa especializada e estruturada para a prática de múltiplos crimes, incluindo exploração de jogos ilegais, corrupção de agentes públicos, tráfico de influências e receptação.
Segundo o PF, durante a investigação foi apurado o envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro, o que implicou no encaminhamento de Relatório de Inteligência Policial ao STF (Supremo Tribunal Federal). O inquérito foi presidido pelo Ministro Relator Cézar Peluso e embasou a manifestação do Procurador-Geral da República, Antônio Fernando de Souza, que culminou na expedição dos mandados cumpridos nesta sexta-feira.
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