Em operação, policiais federais fazem busca no TRF de São Paulo
Da Redação - 20/04/2007 - 12h31
Inicialmente, falava-se em cerca de cem mandados, número que incluia os 43 pedidos de prisão temporária feitas ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas que foram negados antes de a operação começar.
O esquema contava com o pagamento de entre R$ 20 mil e R$ 30 mil para os lobistas que atuariam na negociação de sentenças em nome de bingos e de empresas interessadas nos créditos. A PF diz que operação também foi alvo de vazamento de informações.
Advogados, juízes, desembargaores federais, contadores, donos de bingo e de empresas importadoras de caça-níqueis, um procurador da Fazenda Nacional, uma servidora da Receita Federal, empresários e lobistas são os alvos da nova ação —a segunda com essas proporções que envolve a PF em uma semana.
De acordo com a PF, a ação começou às 8h e se encerrou às 13h. Cerca de 400 policiais federais participaram da operação, que acontece um dia depois de o TRF-3 suspender liminares que permitiam o funcionamento de casas de bingo associadas ao Joli Esporte Clube FC Bingo São Judas SP e à Liga Esportiva Jaboticabalense de Futebol Amador.
Foram apreendidos documentos e computadores nas salas dos desembargadores Roberto Haddad, Alda Bastos e Nery da Costa Júnior e dos juízes federais Maria Cristina B. Cukierkorn (23ª Vara Federal) e Djalma Moreira Gomes (25ª Vara) serão enviados à Superintendência da PF em Brasília.
As investigações começaram em agosto de 2006, por iniciativa do MPF, que requisitou instauração de inquérito judicial junto ao TRF-3 para apurar denúncia de que um juiz convocado do tribunal teria recebido valor para proferir decisão em favor de um particular.
De acordo com a PF, também teriam sido tomadas decisões em matéria tributária, para compensação indevida ou para suspender exigências de créditos tributários. Para encobrir os valores das compensações, eram utilizadas empresas de fachada ou fantasmas
Furacão
Segundo a PF, essa ação segue os mesmos moldes da operação Furacão, que prendeu na semana passada 25 pessoas, inclusive procuradores e desembargadores, acusadas de tráfico de influência e venda de sentenças judiciais favoráveis à casas de bingos e caça-níqueis.
Entre os detidos, estavam o ex-vice-presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, membro do órgão desde 1993, o juiz Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região (Campinas) e o procurador regional da República do Rio de Janeiro João Sérgio Leal Pereira.
Além dos magistrados, foram presos também chefes de grupos ligados a jogos ilegais (bingo, caça-níqueis e jogo do bicho), o ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, Anísio Abraão David, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Capitão Guimarães, o bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, empresários, advogados e policiais civis e federais. Um contingente de 300 policiais foi deslocado na operação.
Nesta semana, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou à PF que permita aos advogados dos presos o acesso aos autos da operação. Mas a “boa notícia” para os presos foi seguida da prorrogação, pelo Supremo, das prisões temporárias por novos cinco dias.
O STF também determinou, nesta quinta-feira (20/4), o bloqueio dos bens de todos os detidos na operação Furacão e dos bens de alguns de seus familiares. A investigação mostrou a relação entre bicheiros, polícia e Justiça no Rio de Janeiro.
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