Magistrados alvo de ação da PF concederam liminar para bingos funcionarem
Rosanne D'Agostino - 20/04/2007 - 15h40
Os documentos apreendidos nas salas dos desembargadores Roberto Haddad, Alda Bastos e Nery da Costa Júnior e dos juízes federais Maria Cristina Barongeno Cukierkorn (23ª Vara Federal) e Djalma Moreira Gomes (25ª Vara) serão enviados à Superintendência da PF em Brasília. A ação, que começou por volta das 8h e se encerrou às 13h, resultou ainda na apreensão de computadores utilizados pelos magistrados.
Ao todo, foram cumpridos cerca de cem mandados de prisão, busca e apreensão —em São Paulo e no Rio de Janeiro. O gabinete de um procurador da Fazenda Nacional também foi alvo da operação. A ação acontece um dia depois de o tribunal suspender liminares que permitiam o funcionamento de casas de bingo associadas ao Joli Esporte Clube FC Bingo São Judas SP e à Liga Esportiva Jaboticabalense de Futebol Amador.
Dentre os magistrados, somente o juiz federal Djalma Moreira Gomes não proferiu decisão que permitia o funcionamento dos bingos. No entanto, ele aparece nas escutas que investigou o esquema de exploração de jogos, realizadas pela PF com autorização judicial.
Furacão
Segundo a PF, essa ação segue os mesmos moldes da operação Furacão. Deflagrada na sexta-feira passada (13/4), quando 25 pessoas foram presas, entre elas, magistrados, a ação tinha o objetivo de apurar a existência de tráfico de influência e venda de sentenças judiciais favoráveis à casas de bingos e caça-níqueis.
Entre os detidos, estavam o ex-vice-presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, membro do órgão desde 1993, o juiz Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região (Campinas) e o procurador regional da República do Rio de Janeiro João Sérgio Leal Pereira.
Além dos magistrados, foram presos também chefes de grupos ligados a jogos ilegais (bingo, caça-níqueis e jogo do bicho), o ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, Anísio Abraão David, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Capitão Guimarães, o bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, empresários, advogados e policiais civis e federais. Um contingente de 300 policiais foi deslocado na operação.
Nesta semana, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou à PF que permita aos advogados dos presos o acesso aos autos da operação. Mas a “boa notícia” para os presos foi seguida da prorrogação, pelo Supremo, das prisões temporárias por novos cinco dias.
O STF também determinou, nesta quinta-feira (20/4), o bloqueio dos bens de todos os detidos na operação Furacão e dos bens de alguns de seus familiares. A investigação mostrou a relação entre bicheiros, polícia e Justiça no Rio de Janeiro.
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