OAB-RJ quer afastamento de juízes investigados pela operação Furacão

Da Redação - 24/04/2007 - 11h29

O presidente da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro), Wadih Damous, defendeu nesta terça-feira (24/4) que os juízes e desembargadores investigados pela operação Furacão da Polícia Federal se afastem de suas funções e dos tribunais até a conclusão dos processos.

Os magistrados, presos no dia 13 de abril pela PF, foram soltos por determinação do ministro Cezar Peluso, do STF (Supremo Tribunal Federal), em decisão tomada no sábado (21/4). A operação resultou na prisão de 25 pessoas que estariam ligadas a um esquema de favorecimento à exploração de bingos e caça-níqueis, que passaria pela venda de sentenças —entre os investigados está o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Paulo Medina.

“Seria melhor tanto para o cidadão jurisdicionado, quanto para o Poder Judiciário, e até mesmo para os que estão sendo acusados de práticas ilícitas tão graves, se manterem afastados nesse momento”, afirmou o presidente da OAB-RJ, ao comentar sobre a possibilidade de retorno dos investigados aos seus cargos.

Para Damous, o afastamento enquanto durarem as investigações é medida que beneficia os próprios magistrados —Medina e o desembargador Carreira Alvim, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região (RJ e ES), já estão afastados. “Obviamente, não há qualquer decisão determinando aos magistrados o afastamento nessa fase dos processos, mas o considero relevante até para quer se preservem”, afirmou. “Essa é uma situação muito delicada, e o magistrado necessita de serenidade e de tranqüilidade para exercer bem as suas funções.”

Furacão
O irmão do ministro Paulo Medina, do STJ, o advogado Virgilio Medina, foi preso na ação da PF. Com autorização judicial, o advogado foi gravado negociando decisões favoráveis aos bingos. Virgilio é apontado em investigações da Polícia Federal como uma das pessoas que colaboravam na negociação de decisões judiciais beneficiando empresas de exploração de jogos de azar.

Há também uma liminar concedida pelo ministro em 2006 que liberou a utilização de 900 máquinas caça-níqueis que tinham sido apreendidas em Niterói (RJ). De acordo com a PF, o ministro estaria no centro do esquema, negociando sentenças por meio do irmão.

Além dos magistrados, foram presos ainda chefes de grupos ligados a jogos ilegais (bingo, caça-níqueis e jogo do bicho), o ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, Anísio Abraão David, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Capitão Guimarães, o bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, empresários, advogados e policiais civis e federais.

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