MPF-PA entra com ações contra ex-deputado da máfia dos sanguessugas
Da Redação - 25/05/2007 - 16h20
Segundo informações do MPF-PA, na ação penal, Bengston é acusado dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude em licitação, pelos quais pode ser condenado a até 29 anos de prisão e multa. Na ação civil de improbidade administrativa, ele poderá perder os direitos políticos e ser obrigado a ressarcir os cofres públicos. Como perdeu o foro privilegiado ao terminar seu mandato de deputado federal, será processado na Justiça Federal em Belém.
De acordo com o procurador regional da República José Augusto Torres Potiguar, responsável pelos processos contra ex-deputado, Bengston fazia parte do comando político da organização criminosa, “encarregando-se da elaboração de emendas orçamentárias que acabaram por destinar vultosos recursos públicos federais em proveito do esquema”.
Ao analisar as emendas orçamentárias do parlamentar paraense, o MPF somou em apenas dois anos – 2002 a 2004 – 8,63 milhões de reais destinados por Bengston para favorecer a quadrilha dos sanguessugas. Em troca dos serviços prestados ao esquema, ele chegou a receber, de acordo com as informações da quebra do sigilo bancário, cerca de R$ 100.000, depositados em contas próprias e em contas da Igreja do Evangelho Quadrangular, administrada pelo acusado.
As entradas de dinheiro garantidas pelo então deputado através das emendas e os correspondentes pagamentos da quadrilha a ele eram anotados no livro-caixa da empresa Planam, de José Vedoin e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, encontrado pela Polícia Federal durante as investigações. Em depoimento, os dois empresários, principais operadores do esquema, confirmaram o envolvimento de Bengston na quadrilha.
Saiba como funcionava o esquema, de acordo com a denúncia do MPF:
“A organização criminosa atuou preponderantemente com recursos provenientes de emendas parlamentares direcionadas para a área de Saúde, notadamente a programas relacionados à compra de ambulâncias e de equipamentos hospitalares. O esquema para tanto concebido operou de forma linear durante mais de cinco anos, objetivando a apropriação de recursos públicos em larga escala. A atuação do bando segmentava-se em quatro fases distintas:
(i) inicialmente, cuidava-se do direcionamento de emendas orçamentárias a Municípios ou a entidades de interesse da quadrilha;
(ii) na seqüência, o grupo ocupava-se da execução orçamentária, encarregando-se inclusive da elaboração de projetos e pré-projetos indispensáveis para a formalização de convênios, com base nos quais os recursos públicos federais eram descentralizados;
(iii) após, os acusados manipulavam processos licitatórios, visando à adjudicação do objeto respectivo em favor de alguma das empresas constituídas como peças do aparato criminoso;
(iv) por último, repartiam-se os recursos públicos apropriados entre os agentes públicos, lobistas e empresários que haviam contribuído para o sucesso da empreitada, quando as suas ´comissões´ não haviam sido pagas antecipadamente".
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