Professores criticam questões de civil da 2ª fase do 132º Exame

Marina Diana - 03/06/2007 - 09h40

Peças complexas e de pouco uso prático no âmbito civil. Foi assim que professores de cursos preparatórios para o Exame de Ordem consideraram a segunda fase da prova 132º, realizada em 20 de maio. O gabarito, divulgado no último dia 23, causou revolta entre o corpo docente e discente.

Responsáveis pela segunda fase de civil no curso Exord, em São Paulo, os professores Fernanda Tartuce e Luiz Dellore, afirmaram que, a exemplo do 131º Exame de Ordem, a prova trouxe enunciados e gabaritos problemáticos. Para o professor Brunno Giancoli, que dá aula de direito civil no curso preparatório para OAB do Complexo Jurídico Damásio de Jesus (CJDJ), a prova que dá o direito do bacharel ingressar na carreira de advogado não avalia o candidato como deveria.

O presidente da comissão de estágio e Exame de Ordem da seccional paulista da OAB, Braz Martins Neto, se defende e afirma que as questões são elaboradas e analisadas por um grupo de profissionais, e não por uma única pessoa, como muitos acreditam.

“Entendemos que foram absolutamente impertinentes para uma prova para ingresso na advocacia. Espera-se que, ao menos na correção, os examinadores sejam flexíveis e coerentes com a difícil situação do candidato ante uma redação tão lacunosa e específica”, disse Fernanda.

Para ela, que divulgou um e-mail aos seus alunos com sua opinião sobre a prova, a seccional paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) não deu elementos suficientes à argumentação do candidato, obrigando-os a inovar na peça. “Todavia, como o edital diz que será anulada a prova que trouxer elementos novos, o examinando acaba por não incluir elementos não constantes no enunciado. O gabarito, porém, tem exigido que o aluno adivinhe ou invente informações, o que é extramente gravoso. Ao ser necessário ‘adivinhar’, a prova prestigia mais a sorte do que o conhecimento técnico”, comentou a professora do Exord.

Brunno Giancoli concorda e ressalta: o exame tinha até erros ortográficos. “Mesmo os candidatos que acertaram a peça, como gostam de afirmar os alunos, certamente enfrentaram muita dificuldade para desenvolver o tema. Os textos dos problemas deixaram muito a desejar, inclusive com erros ortográficos grosseiros, a exemplo da expressão 1% grafada com h. Ora, a expressão hum com h exprime dúvida e desconfiança e não se relaciona com a representação do algarismo 1 (sem h). Como essas pessoas podem avaliar a capacidade de escrita e correção gramatical de alguém se nem eles mesmos sabem escrever?”, comentou o professor.

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