Falta de clareza em projeto inibe adesão à nota fiscal eletrônica

Rosanne D'Agostino - 21/06/2007 - 13h29

Um dos principais motivos pelos quais o empresário brasileiro ainda não decidiu investir na implantação da nota fiscal eletrônica (NF-e) é a falta de clareza no projeto, além da imprevisibilidade de retorno do investimento.

É o que revela uma pesquisa realizada em junho deste ano com 75 empresas de grande e médio porte, das quais 72% apresentam faturamento anual superior a R$ 100 milhões.

De acordo com a segunda pesquisa do Cenário da Nota Fiscal Eletrônica no Brasil: Visão Empresarial, realizada pelo Conselho Privado da Nota Fiscal Eletrônica do Brasil (CONFeB), as empresas brasileiras desconhecem o projeto e pretendem implementar o sistema somente quando ele se tornar obrigatório.

Das empresas ouvidas, 48% não demonstraram interesse em implantar a nota fiscal eletrônica, em curto e longo prazos. Essas empresas manifestaram interesse em implantar o sistema apenas quando seu uso for obrigatório.

Já 32% indicaram ter interesse em iniciar um projeto a partir de 2008, e 7% disseram que, por enquanto, não desejam desenvolver a NF-e.

O levantamento mostra ainda que 75% dos entrevistados sequer iniciaram estudos para a implantação do processo.

Obstáculos
Um dos motivos para isso é o desconhecimento sobre a nota. A análise revelou que 48% caracterizam como insuficiente seu nível de informação sobre o projeto da NF-e, enquanto que 12% acreditam ter conhecimento mais avançado, e 40% disseram conhecer apenas de forma adequada.

Como barreiras para a implantação, 46,7% das empresas indicaram a falta de clareza do projeto como o fator principal. A integração e a mudança de processos internos também foram citados como obstáculos por 34,7% dos entrevistados.

Outro problema é não saber se haverá retorno do investimento feito na NF-e.

Para 44% das empresas, a resposta positiva nas finanças só será obtida entre dois a cinco anos e, para quase 11%, não haverá nenhum tipo de retorno para seus negócios. Ninguém respondeu que o retorno será imediato.

As empresas também apontaram como desafios a falta de legislação específica e as mudanças provindas de reestruturação de processos internos e da relação com o cliente, além do fato de não terem tecnologia adequada para a implementação.

Vantagens
A pesquisa também revelou quais benefícios as empresas adotantes da NF-e esperam ter com o novo sistema. Entre eles, foram citadas a redução dos custos de impressão e aquisição de papel, para 47% das empresas que emitem mais de 10 mil notas fiscais por mês. Por outro lado, para as que emitem menos de mil notas, não há grandes ganhos. Apenas 8% tiveram economia.

Menos erros
Outra grande expectativa, para 56% dos entrevistados, é a diminuição de erros de escrituração, e ainda, a eliminação da digitação, que causa esses erros. Além disso, as receptoras das futuras NF-es também esperam diminuir problemas, com maior padronização e redução da concorrência desleal.

Em 2006, apenas 9,4% das empresas tinham analisado a diminuição da deslealdade como ponto forte da NF-e, contra 36% neste ano. Isso porque, um dos objetivos do sistema, é justamente garantir maior transparência fiscal.


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