Departamentos Jurídicos também devem ter metas de eficiência, diz Ambev
Marina Diana - 22/06/2007 - 08h59
“É importante a fixação de metas para saber de onde elas surgem. Claro que não é da cabeça do gestor, mas do mercado, da necessidade da companhia de suplantar a concorrência. A partir da meta fixada, cada setor olha o objetivo final e procura obter o que foi especificado”, diz Mariani.
Segundo ele, para a ação gerencial ser bem-sucedida, há quatro objetivos: colocar no mercado um produto com melhor qualidade e de forma mais econômica que o do concorrente; remunerar o acionista de alguma forma competitiva com o mercado financeiro; remunerar seus funcionários de forma competitiva buscando garantir a retenção de seus talentos; e respeitar as normas aplicáveis, ou seja, atingir as metas de forma correta, sem burlar o sistema.
“Cheguei a achar que na área jurídica não era possível estabelecer metas. Mas tanto para empresas, quanto para escritórios, é importante que existam objetivos a serem alcançados”, avalia Mariani, mestre em direito pela London School of Economics and Political Science.
As declarações foram dadas durante a palestra “Gerenciamento por diretrizes”, no Centro de Estudos de Direito do IBMEC São Paulo.
Provisão
Mariani explicou que, pelas normas contábeis, na medida em que exista um passivo cuja perda seja certa, ela tem que ser provisionada naquele momento. Ou seja, uma empresa deve trabalhar com uma margem de perda e de ganho em causas judiciais e, se o caixa negativo exceder o estabelecido, uma nova análise deve ser feita na área responsável.
Ainda de acordo com o palestrante, na identificação de um problema é importante verificar a meta do ebitda (earnings before interest, taxes, depreciation and amortization), que traduzido para o português significa “lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”.
O termo é muito utilizado por analistas financeiros na verificação de balanços contábeis de empresas de capital aberto.
Para exemplificar, Mariani citou uma ação trabalhista cujos gastos estavam em desacordo com a meta da ebitda da companhia e que necessitam, portanto, de uma redução.
Para tanto, o advogado levantou pontos importantes a serem discutidos pela empresa, como analisar se existiram no decorrer do processo algumas informações descentralizadas, verificar se houve ausência de comprometimento dos gestores, checar a existência de alguma documentação deficiente, observar se os prepostos ou testemunhas estavam despreparados, entre outros fatores que podem diagnosticar de onde nasceu a perda.
“Fixar metas é trabalhoso. Por isso, é necessário que exista uma reunião mensal com os setores”, disse o advogado, que também citou como fator primordial no sucesso de uma empresa a boa remuneração dos funcionários: “Empresas e escritórios de advocacia querem o melhor do mercado, para tanto, precisam de uma remuneração justa”.
Terceirização
Questionado pela reportagem de Última Instância sobre a tendência de terceirização nas áreas jurídicas das empresas, que começou em meados dos anos 80, Pedro Mariani acha que se trata de algo arriscado.
“Terceirizar o contencioso cível é comum porque é importante que o advogado que vai atuar pela empresa seja conhecido e respeitado no foro em que vai atuar, mas acho que as empresas que fazem isso sem cautela, pensando apenas no financeiro, devem estar sem observar as metas e o andamento do setor jurídico interno”, completou.
Leia mais:
Redução de custos já atinge setor jurídico das empresas
















