Jornal pode publicar informações fornecidas pelo Ministério Público, decide juiz
Da Redação - 24/06/2007 - 09h49
De acordo com o Judiciário mineiro, o servidor sentiu-se lesado porque era funcionário da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes, e as matérias jornalísticas noticiavam o envolvimento de policiais da divisão com o tráfico de drogas, atribuindo, tal crime, a todos os policiais que ali trabalhavam. Com isso, ele considerou que foi desmoralizado e sofreu discriminação por toda a sociedade.
Os veículos de comunicação alegaram, em síntese, que as reportagens se originaram de denúncias e depoimentos da polícia e Ministério Público. Os órgãos de imprensa foram convocados para uma coletiva, quando foram relatadas as apurações das investigações sobre envolvimento de servidores daquela delegacia com traficantes.
Os fatos foram narrados baseados em depoimentos da polícia e do Ministério Público, sem ultrapassar ou modificar o conteúdo. Além do mais, não houve divulgação de dados pessoais de servidor.
O magistrado afirmou que caberia a responsabilização se as reportagens ultrapassassem os limites da narrativa, divulgando informações de cunho meramente ofensivo, em desconformidade com os padrões éticos, depreciando a imagem do indivíduo, cuja culpabilidade ainda foi averiguada, imputando-lhe, assim, um crime pelo qual não houve condenação.
Assim, o magistrado entendeu que não consiste crime a publicação, em jornal, de conteúdo conforme o inquérito instaurado ou a denúncia apurada pelo Ministério Público, em virtude do interesse público inerente a esses acontecimentos, “de modo, até mesmo, a possibilitar o controle social dos referidos atos”, completou.
Ele observou que as reportagens restringiram-se à narrativa referente à suspeita de que policiais estariam envolvidos em irregularidades, jamais afirmando sua culpa. Por fim, que a redação das matérias obedeceu aos ditames da Lei de Imprensa e o nome do servidor não foi citado.
“Se o conteúdo jornalístico se resume a reproduzir aquilo que foi apurado pelo Ministério Público, juntamente com a polícia, guardando equivalência com os depoimentos dos agentes públicos envolvidos, investigados e apuradores, não há ilícito na atividade, e, consequentemente, não há que se falar em indenização por danos morais”, concluiu o magistrado.

















