Advogado de Duda Mendonça diz que decisão do STF foi historicamente cautelosa

Camilo Toscano - 28/08/2007 - 17h20

BRASÍLIA — Tales Castelo Branco, advogado de Duda Mendonça, agora réu no Supremo Tribunal Federal por lavagem de dinheiro e evasão de divisas no caso do “Mensalão” afirmou nesta terça-feira, após o término da sessão, que considera a decisão dos ministros cautelosa.

“Foi uma decisão historicamente cautelosa do Supremo, que decidiu pelo recebimento da denúncia para praticamente todos os acusados. Poderia ter havido um pouco de liberalidade, porque estou com a corrente que pensa que a denúncia só deve ser recebida quando a ação penal é viável”, afirmou.

“Eu me pergunto: se eu fosse ministro, teria tomado decisão diferente? Tenho a impressão de que não, por isso sou advogado. Não tenho vocação para julgar”, completou o defensor, que destaca: “Tem que se considerar que essa é uma decisão pura e simplesmente que aprecia o recebimento ou não da denúncia.”

Segundo o advogado, os acusados não sabiam que a origem do dinheiro poderia ser ilícita, porque eles ele cometido foi contra a ordem tributária, pela manutenção de dinheiro no exterior. Assim, a punibilidade estaria extinta a partir do momento em que as irregularidades foram sanadas, o que ocorreu antes da denúncia.

Resultado
Após mais de 30 horas de sessão, o STF (Supremo Tribunal Federal) encerrou nesta terça-feira (28/8) a análise sobre o caso “Mensalão” —suposto esquema de desvios de verbas públicas e de compra de apoio político no Congresso Nacional—, e decidiu receber, parcialmente, a denúncia contra todos os 40 acusados pela Procuradoria Geral da República.

O Supremo entendeu haver indícios suficientes para justificar a abertura de processo por determinados crimes. Todos os réus, contudo, irão responder a ação penal. O julgamento sobre a responsabilidade de cada um só será realizado após a fase de instrução, quando serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa. Segundo o ministro Marco Aurélio Mello, o STF pode levar dois anos e meio para finalizar o processo.

De acordo com o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o suposto esquema teria desviado mais de R$ 55 milhões e funcionaria a partir de três núcleos: o central ou político (Dirceu, Genoino, Delúbio e Silvinho); o publicitário (Marcos Valério, Simone Vasconcelos, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Rogério Tolentino e Geiza dos Santos); e o financeiro (Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório de Jesus, da direção do Banco Rural).

Na ponta do esquema estariam deputados federais de cinco partidos (PP, PL, PTB, PMDB e PT), que receberiam o dinheiro em troca de apoio político ao governo.


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