Advogado de ex-dirigentes do Rural classifica decisão do Supremo de injusta
Camilo Toscano - 28/08/2007 - 17h39
“Esperava que, pelo menos em alguma parte, a denúncia fosse rejeitada. Agora, o Supremo deve demonstrar coerência com toda sua história e absolver ou rejeitar algumas teses aceitas hoje”, afirmou o advogado.
O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu receber a denúncia por gestão fraudulenta, evasão de divisas e lavagem de dinheiro contra os dirigentes do Rural, Kátia Rabelo, José Roberto Salgado, Vinícius Samarani e Ayanna Tenório de Jesus (esta última não responde por evasão de divisas, pois assumiu o cargo após o envio do dinheiro). Eles foram os primeiros a terem anunciadas as decisões sobre seus processos. Nesta terça, também foi recebida acusação por formação de quadrilha.
Resultado
Após mais de 30 horas de sessão, o STF encerrou nesta terça-feira (28/8) a análise sobre o caso “Mensalão” —suposto esquema de desvios de verbas públicas e de compra de apoio político no Congresso Nacional—, e decidiu receber, parcialmente, a denúncia contra todos os 40 acusados pela Procuradoria Geral da República.
O Supremo entendeu haver indícios suficientes para justificar a abertura de processo por determinados crimes. Todos os réus, contudo, irão responder a ação penal. O julgamento sobre a responsabilidade de cada um só será realizado após a fase de instrução, quando serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa. Segundo o ministro Marco Aurélio Mello, o STF pode levar dois anos e meio para finalizar o processo.
De acordo com o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o suposto esquema teria desviado mais de R$ 55 milhões e funcionaria a partir de três núcleos: o central ou político (Dirceu, Genoino, Delúbio e Silvinho); o publicitário (Marcos Valério, Simone Vasconcelos, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Rogério Tolentino e Geiza dos Santos); e o financeiro (Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório de Jesus, da direção do Banco Rural).
Na ponta do esquema estariam deputados federais de cinco partidos (PP, PL, PTB, PMDB e PT), que receberiam o dinheiro em troca de apoio político ao governo.

















